As informações e os testemunhos surgem lentamente e só aos poucos se aproximam da real dimensão da tragédia dos reféns. Esta manhã, foram encontrados 25 corpos no campo de gás natural de In Amena no Sul da Argélia, palco da maior tomada de reféns das últimas décadas, pelas forças argelinas que prometem para as próximas horas um balanço final.
A notícia foi avançada pela televisão privada argelina Ennahar momentos depois de uma outra sobre a execução de nove trabalhadores japoneses testemunhada por dois sobreviventes. Estes falaram à AFP horas depois de a empresa japonesa JGC Corp, que empregava 78 pessoas no campo de In Amena, ter dito que dez japoneses e sete estrangeiros continuavam desaparecidos.
Depois do assalto final das forças argelinas, sábado, ao campo tomado pelos cerca de 30 militantes armados do grupo radical de Mohktar Belmokhtar, o Governo argelino anunciou a morte de sete reféns e várias fontes deram por concluída a missão que teria, no total, feito 23 vítimas entre os reféns de várias nacionalidades. O mesmo balanço apontava para a morte de 32 militantes e a libertação de 685 argelinos e 107 estrangeiros. mas teme-se que mais pessoas sejam encontradas mortas.
A Argélia admite este domingo que a tragédia pode não ter acabado. Não a acção em si, mas o seu resultado. Entre os desaparecidos, mais mortes podem ser anunciadas nas próximas horas, afirmou um ministro em Argel.
Por esclarecer também estão as nacionalidades de todas as vítimas. Centenas de trabalhadores do campo – explorado em conjunto pela argelina Sonatrach, a britânica BP e a norueguesa Statoil – vêm de 25 países. O destino de pelo menos cinco noruegueses e dois malaios continuam também por apurar.
O primeiro-ministro britânico David Cameron falou ao país na manhã deste domingo, para anunciar as mortes confirmadas de três reféns britânicos e a informação de que três outros estão desaparecidos e um outro residente na Argélia pode ter também morrido na operação levadas a cabo pelas autoridades argelinas para tentar neutralizar o grupo radical de Mohktar Belmokhtar.
Cameron disse estar certo de que este “horrível incidente terrorista” tinha terminado. “Estas mortes são da inteira responsabilidade dos terroristas que lançaram um ataque cruel e cobarde”, afirmou refreando críticas anteriores à forma como a Argélia geriu a crise actuação das forças argelinas.
França defende opção argelina
Além do Reino Unido, também os Estados Unidos e o Japão manifestaram reservas relativamente à actuação das forças argelinas, que avançaram o para um confronto com os militantes na quinta-feira, e apesar de lhes ter sido pedido, pelos países que tinham cidadãos entre os reféns, que aguardassem, nota o New York Times.
Questionado se considerava que a Argélia tinha feito tudo o que podia para salvar vidas, o primeiro-ministro britânico disse que “ninguém podia subestimar as dificuldades na resposta a um ataque desta escala com 30 terroristas absolutamente determinados a tirarem vidas”.
A França tem-se mantido firme no apoio a Argel na forma como desencadeou a acção com o Presidente francês François Hollande a dizer que a Argélia tinha dado “as respostas adequadas”. A tomada do campo e dos reféns na quarta-feira, pelos militantes fortemente armados do grupo de Mohktar Belmokhtar, foi em resposta à intervenção das tropas francesas no Mali contra bastiões de grupos islâmicos radicais.
“Quando há uma tomada de reféns com tantas pessoas envolvida e terroristas tão friamente determinados a matar os seus reféns, parece-me que um país como a Argélia tem as respostas mais adequadas. Não podia ter havido negociação”, afirmou François Hollande. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius reforçou essa posição em declarações à rádio Europe 1: “Face ao terrorismo, é preciso ser-se implacável.”

Comentários