Mais de 100 mortos no dia mais sangrento dos últimos anos no Paquistão

Duplo ataque em Quetta, o segundo do dia na cidade, e ainda uma explosão em Mingora, na região de Swat, marcaram esta quinta-feira.

Mercado de Quetta após ataque que matou onze pessoas Banaras Khan/AFP

Mais de 100 pessoas morreram em vários ataques no Paquistão, no que foi um dos dias mais mortíferos dos últimos anos no país, que enfrenta uma insurreição taliban no Noroeste e de combatentes baluches no Sudoeste.

O último ataque foi uma dupla explosão em Quetta, que provocou, segundo os últimos números citados pela agência AFP, 81 mortos. A primeira bomba rebentou numa sala de snooker, aparentemente detonada por um kamikaze. Cerca de dez minutos mais tarde, quando se juntavam socorristas, polícia, e jornalistas, explodiu o segundo engenho. Entre as vítimas estavam cinco polícias e um operador de câmara, diz a agência Reuters.

O ataque ocorreu num bairro de maioria xiita em Quetta, a capital da província do Baluchistão. O grupo extremista sunita Lashkar-e-Jhangvi reivindicou a responsabilidade pelo ataque contra os xiitas (que são 20% da população do Paquistão).

Antes, também em Quetta, tinham morrido 11 pessoas e mais de 40 ficaram feridas com uma explosão num mercado. A maioria das vítimas eram vendedores de legumes e de roupa em segunda mão, mas entre os mortos estava também pelo menos uma criança. Os rebeldes baluches reivindicaram este ataque. Estes insurrectos querem a independência do Baluchistão, uma região árida e pobre mas com reservas substanciais de gás, cobre e ouro, e que apesar de ocupar quase metade do território do país tem apenas 8 milhões dos 180 milhões de habitantes do Paquistão.

Outro ataque, mas em Mingora, a maior cidade do vale de Swat, Noroeste, fez 21 mortos e 60 feridos. A região montanhosa perto da fronteira com o Afeganistão já foi um centro de turismo no Paquistão, mas é desde 2009 o palco de uma ofensiva do Exército paquistanês, que tenta afastar os combatentes taliban da zona. No entanto, estes têm conseguido resistir e manter a capacidade de ataque – foi nesta zona que a defensora do direito à educação das raparigas Malala Yousufzai foi atingida a tiro em Outubro passado.

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