Mãe obrigou filha a engravidar e foi condenada a cinco anos de prisão

Mulher planeou gravidez de filha adoptiva, quando esta tinha 13 anos, para ter mais um bebé em casa.

Suspeitas surgiram por causa do comportamento da mãe da adolescente Daniel Rocha

Uma mãe de origem norte-americana a viver no Reino Unido obrigou a mais velha das três filhas adoptivas a engravidar para poder ter uma quarta filha. A mulher está a cumprir uma pena de cinco anos de prisão por crueldade.

O caso remonta a Março de 2012 mas só agora foram conhecidas as conclusões do julgamento, revela o Guardian, na sua edição online.

O plano teve início depois de a menina ter feito 13 anos. Com três filhas adoptivas, a mulher viu-lhe ser negada uma quarta adopção. Por isso, na impossibilidade de ter filhos naturais, planeou que a sua filha mais velha engravidaria. A mulher comprava esperma online a um banco de dadores dinamarquês, o Cryos, que a rapariga usava, sozinha, no seu quarto, desde os 14 anos. Isto terá acontecido sete vezes, durante um período de dois anos, desde 2008. Aos 16 anos, a adolescente engravidou e, já com os 17 anos feitos, deu à luz um bebé.

O caso desta mulher levantou várias questões às autoridades. Por exemplo, a de ser tão fácil, no Reino Unido, o acesso a um banco de esperma internacional e ao uso, em casa, sem qualquer supervisão do produto comprado. O juiz Peter Jackson, do Supremo Tribunal, reflectiu sobre a necessidade de os bancos de esperma verificarem quem são os seus clientes. Por sua vez, a Autoridade para a Fertilização Humana e Embriologia revelou-se “chocada e horrorizada por este caso terrível”, revela a Reuters. A instituição pretende agora debater este tema com o Ministério da Saúde. O banco de esperma Cryos não quis comentar este caso.

Por amor à mãe
O caso foi descoberto depois do nascimento do bebé. Antes disso, a história contada aos serviços de saúde não levantou suspeitas: um caso de uma noite com um rapaz que saiu do país.

Depois de o bebé nascer, as profissionais de saúde que lidaram com a família de perto começaram a perceber que algo estava mal. A mãe da adolescente não permitia que esta criasse laços com o bebé. Quando uma destas profissionais sugeriu que seria bom a mãe amamentar, a mãe da rapariga respondeu-lhe que não. Depois de vários incidentes, as profissionais acabaram por alertar os serviços sociais e a polícia foi envolvida no caso em Julho de 2011.

Durante o julgamento, a mulher foi descrita como tendo uma personalidade “excepcionalmente forte” e que era a única que queria ter influência nas vidas das suas filhas. Quando se divorciou do pai adoptivo das duas meninas mais velhas, excluiu-o das suas vidas. O homem desconhecia o paradeiro da família há dez anos.

Além disso, as meninas aprendiam em casa, não iam à escola, as cortinas da casa estavam sempre fechadas e os vizinhos eram mantidos longe. Estes dados puseram em causa tanto os serviços de Educação, que nunca fizeram uma visita à casa, como os serviços sociais.

A rapariga confessou que permitiu à mãe usar o seu corpo porque a ama e porque lhe está grata por a ter adoptado. Quando a mãe lhe pediu, pela primeira vez, para conceber, a rapariga ficou “chocada, muito chocada”, confessou ao tribunal, mas pensou que se o fizesse a sua mãe a “amaria mais”. “Sentimentos de gratidão pela minha adopção influenciaram o meu comportamento”, confessou.

Em 2009, num postal oferecido no dia da mãe, a adolescente colou uma imagem de um teste de gravidez positivo e escreveu a promessa de ter um bebé.

Mas este processo revelou-se difícil. Não só demorou cerca de dois anos a concretizar como, crê o juiz, a adolescente terá abortado uma vez, aos 14 anos. Além disso, como a mulher queria ter mais uma filha obrigou a rapariga a fazer lavagens vaginais com vinagre, sumo de limão e de lima porque acreditava que o ácido podia influenciar o sexo da criança.

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