A Nobel da Paz Aung San Suu Kyi dedicou o seu primeiro discurso enquanto deputada do Parlamento birmanês à defesa dos direitos das minorias étnicas, que representam um terço dos 60 milhões de habitantes do país.
Após uma viagem à Europa – a primeira em mais de duas décadas, que passou em grande parte em prisão domiciliária – a líder da oposição birmanesa Suu Kyi discursou no Parlamento, para o qual foi eleita em Abril, para defender uma proposta de lei sobre direitos das minorias apresentada por um deputado do partido no poder. “Para chegarmos a uma verdadeira união democrática, com direitos iguais e respeito mútuo, apelo a todos os membros do Parlamento que discutam e ponham em prática as leis necessárias para proteger a igualdade de direitos dos grupos étnicos”.
O regresso de Suu Kyi à vida política, após anos de oposição a um regime liderado por uma junta militar, foi um dos sinais mais significativos que apontam para a promoção de reformas na Birmânia, os quais já levaram, por exemplo, ao levantamento de sanções que tinham sido impostas pelos EUA.
Suu Kyi sublinhou que os níveis de pobreza nas regiões habitadas por minorias são superiores à média nacional. O desenvolvimento dessas regiões, disse, “não é suficiente”.
Desde a independência da Birmânia, em 1949, que tem havido conflitos entre as minorias e o poder central, e também entre as diversas minorias. Violentos confrontos entre comunidades budistas e a minoria muçulmana rohingya causaram pelo menos 80 mortos, em Junho, no estado birmanês de Rakhine, já próximo da fronteira com o Bangladesh.
Os rohingyas são cerca de 800.000 na Birmânia e são considerados pelas Nações Unidas uma das minorias mais perseguidas do planeta. Não integram os grupos étnicos reconhecidos pelas autoridades birmanesas nem pelo grupo maioritário dos birmanes.
“O meu partido, a Liga Nacional para a Democracia, e eu própria estamos empenhados e desejosos de desempenhar o nosso papel no processo de reconciliação nacional”, disse Aung San Suu Kyi. “A guerra ainda não terminou. Para isso é preciso encarar a protecção das minorias como uma questão que vai para além de preservar a língua e a cultura.”

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