A mesquita de Al-Shaab, junto ao centro de Trípoli, na Líbia, foi demolida em plena luz do dia, no sábado, e os túmulos sufistas no interior foram profanados por grupos de islamistas armados. Querem impor a sua interpretação do islão, que não tolera a tradição sufista da veneração de santos.
Na véspera, tinha sido destruído o mausoléu do xeque Abdessalem al-Asmar, teólogo sufista do século XVI, em Zlitan, a leste de Trípoli. Num vídeo difundido nas redes sociais em que se vê explodir aquele que é o mais importante mausoléu do país, ouve-se a frase “Deus é grande”. Na mesma cidade líbia, pegaram fogo à biblioteca de uma mesquita, na sexta-feira.
Depois de vários membros do Congresso Nacional terem exigido a demissão dos ministros da Defesa e do Interior, acusando-os de inoperância, o presidente do Congresso, Mohamed Magarief, marcou uma reunião de emergência com o primeiro-ministro para este domingo. Enquanto isso, na capital da Líbia, protesta-se contra a “minoria sem lei” que levou a cabo os ataques.
Magarief denunciou a “destruição e pilhagem de vários edifícios e manuscritos que representam uma época da História” do país. “Estes actos são rejeitados e proibidos pela lei e pela sharia [lei islâmica]”, disse num discurso transmitido pela televisão estatal. Prometeu perseguir os responsáveis, entre os quais acredita haver membros das forças de segurança líbias e ex-rebeldes.
Os salafistas, que integraram vários dos grupos armados que se formaram durante a revolta contra Muammar Khadafi, rejeitam muitas das tradições sufistas, como a veneração de santos.
Esta é a mais recente série de ataques de islamistas a locais de culto sufistas na região. No Norte do Mali, vários mausoléus têm sido destruídos por combatentes islamistas que depois do golpe de Estado de Março passaram a controlar a região.

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