Kim Jong-un apelou à "remoção do conflito" com Coreia do Sul

Líder norte-coreano antecipou “uma mudança radical na construção de um gigante económico” num discurso transmitido na televisão.

Kim Jong-un na declaração de Ano Novo (numa foto libertada pela agência de notícias norte-coreana) Reuters/KCNA

Os discursos públicos de um líder da Coreia do Norte são raros. Discursos de Ano Novo transmitidos na televisão, então, não se ouviam desde 1994, estava ainda no poder Kim Il-sung, avô do actual líder. E o que Kim Jong-un disse, o desejo de "remover o confronto" com Sul, talvez possa ser visto como um sinal de abertura para um entendimento com Seul. Mas com cautela.

“Uma questão importante para pôr fim à divisão do país e conseguir a sua reunificação é remover o confronto entre o Norte e o Sul”, afirmou Kim Jong-un, no poder há pouco mais de um ano, desde a morte do pai, Kim Jong-il, em Dezembro de 2011. “Os registos das relações inter-coreanas mostram que o confronto entre compatriotas conduz apenas à guerra.”

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte lança o que aparentam ser apelos à paz, mas é um passo importante na entrada para 2013. É que, além da habitual tensão entre os dois países – com os mais recentes testes de armamento do Norte a serem condenados no Sul e em todo o mundo –, a partir de Fevereiro a interlocutora em Seul será a conservadora Park Geun-hye, recém-eleita Presidente, que já se mostrou disposta a reatar negociações com o vizinho do Norte, encerradas pelo ainda Presidente sul-coreano Lee Myung-bak. Impôs como condição que Pyongyang abandonasse o seu programa de armamento nuclear.

No entanto, o que está na cabeça de Park Geun-hye são trocas com motivos humanitários e pequenos projectos económicos. A nova Presidente-eleita é filha do general Park Chung-hee, que liderou os destinos da Coreia do Sul durante 18 anos e que foi alvo de pelo menos duas tentativas de homicídio por agentes da Coreia do Norte (e foi mesmo assassinado, em 1979, pelo chefe dos seus próprios serviços de segurança).

Ora aquilo em que Kim Jong-un apontou como pré-requisitos para voltar ao diálogo e dar início a esta nova atitude, sublinha o Washington Post, é o retomar de acordos assinados no passado com a Coreia do Norte por Presidentes sul-coreanos mais liberais e empenhados na reunificação, que incluíam medidas como uma importante cooperação económica entre os dois países, diálogo de alto nível entre os dois governos e a criação de zona económica especial no Mar Amarelo, numa área de fronteira marítima disputada pelo Norte e pelo Sul. É pouco provável que Park Geun-hye aceda a estas exigências.

O Norte e o Sul estão oficialmente em guerra, visto que não foi assinado qualquer tratado de paz após o conflito armado de 1950-53. 

Kim Jong-un não se referiu directamente ao investimento do país no desenvolvimento de armas nucleares – aquilo que o torna mais perigoso em termos regionais, e o que tem isolado mais internacionalmente. O que fez foi deixar claro que as forças armadas continuam a ser uma prioridade na Coreia do Norte. “O poderio militar de um país representa a sua força nacional. Só quando constrói o seu poderio militar em todos os sentidos se pode desenvolver para se tornar num país próspero”, disse.

O discurso do líder norte-coreano abordou ainda o crescimento económico do país. Kim Jong-un quer ver na Coreia do Norte “o mesmo espirito e coragem” demonstrados pelos cientistas do país em “conquistar o espaço” (no recente lançamento de algo que o regime classificou como um foguetão mas os Estados Unidos classificaram como ensaio de míssil de longo-alcance) para conseguir “uma mudança radical na construção de um gigante económico”.

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