Imran Khan culpa rival por morte de dirigente do seu partido em Carachi

Legislativas repetidas hoje em parte da metrópole paquistanesa, depois de fraudes detectadas nas eleições da semana passada. MQM tinha ameaçado o partido da antiga estrela de críquete.

As legislativas realizam-se sob fortes medidas de segurança Asif Hassan/AFP

Imran Khan, a antiga estrela de críquete paquistanesa, acusou o partido que há décadas domina a política em Carachi pelo assassínio de uma das vice-presidentes do seu partido. Zohra Hussein foi morta sábado à porta de casa, na véspera de parte dos eleitores da principal metrópole do país votarem de novo para as legislativas, na sequência das fraudes detectadas na votação da semana passada.

Hussein foi morta por três homens armados que a atacaram no momento em que saía de casa, atingindo-a com dois tiros. “Ela pensava que eles lhe queriam roubar a mala e por isso deu-lha, mas eles mataram-na”, contou à AFP um dirigente local do Movimento para a Justiça (PTI). A polícia diz estar ainda a investigar se se tratou de um assalto ou se o propósito dos atacantes era mesmo matar a dirigente política.

O ataque ocorreu numa zona residencial reservada, a mesma onde morava a ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada em 2007 após regressar ao país para concorrer às eleições presidenciais. Ninguém reivindicou o  homicídio e dos atacantes sabe-se apenas que abandonaram o local de moto.

Khan, ainda na cama do hospital por causa de fracturas sofridas numa queda durante um comício, escreveu uma mensagem no Twitter em que acusa o Movimento Muttahida Quami (MQM) de ser “directamente responsável pelo homicídio” e recorda que o líder da formação, Altaf Hussein, “ameaçou abertamente os membros e dirigentes do PTI em mensagens públicas”.

O MQM, um partido secular que tem o seu principal apoio entre a população que migrou do estado indiano de Sindh para o Paquistão no momento da partição da colónia britânica da Índia e a independência das duas nações, em 1947, domina a política em Carachi desde a década de 1980, recorda a BBC. Os seus adversários acusam-no de governar pelo terror e de se manter no poder através de fraudes eleitorais, acusações repetidas durante as legislativas do fim-de-semana passado no Paquistão.

O partido de Khan liderou os protestos, que levaram a comissão eleitoral a anular a votação em 43 das 250 mesas de voto na cidade.

Altaf Hussein, que vive desde 1991 exilado em Londres, alegando que a sua vida corre perigo no Paquistão, rejeitou as acusações e, num discurso transmitido pela rádio no início da semana passada terá ameaçado os activistas e dirigentes do PTI. A polícia londrina confirmou ter aberto um inquérito para apurar se Altaf Hussein violou as condições de asilo, mas Khan diz que o Governo britânico deve também responder pelo assassínio ao ter ignorado os alertas que fez.

O MQM decidiu boicotar a repetição do escrutínio, que se realiza neste domingo, abrindo caminho a que o PTI consegua eleger deputados por aquela que é a capital comercial do Paquistão.

Qualquer que seja o desfecho, não deverá alterar os resultados das legislativas, ganhas pelo partido do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif que regressar ao poder 13 anos depois de ter sido derrubado no golpe militar liderado pelo general Pervez Musharraf.

O Partido do Povo, da dinastia Bhutto, foi o grande derrotado e, após cinco anos no Governo, corre ainda o risco de ser remetido para o terceiro posto se o PTI conseguir arrecadar boa parte dos votos em Carachi.

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