O tribunal administrativo egípcio rejeitou este sábado um pedido para que o programa de sátira política de Bassem Youssef fosse cancelado e que o canal por satélite que o emite, o CBC, fosse encerrado. Na queixa contra O Programa, o humorista que passou a ser conhecido como o Jon Stewart egípcio era acusado de usar a sua emissão para insultar o islão e o Presidente Mohamed Morsi.
O programa de Bassem Youssef, que segue as mesmas linhas que o Daily Show do americano Jon Stewart (emitido pela CNN e SIC Notícias) e que passa três vezes por semana no CBC, foi acusado por um advogado de promover o sarcasmo e de ridicularizar o Presidente Morsi. Ainda segundo a queixa feita na justiça, a emissão do programa subestima os espectadores e a pessoa do Presidente, atenta contra os símbolos do Estado e os valores e princípios da sociedade egípcia.
Além do programa, foi pedido que a licença de emissão fosse retirada ao canal CBC, por este ser aquele que divulga o trabalho de Bassem Youssef.
Estes argumentos não convenceram o tribunal administrativo e foram rejeitados. Segundo a decisão anunciada este sábado, o advogado em causa não tinha autoridade para apresentar a queixa em causa.
Bassem Youssef regressou com o seu programa na sexta-feira, pela primeira vez desde que foi detido para interrogatório, no último domingo, por acusações de insulto ao islão e ao chefe de Estado. Ouvido pelas autoridades ao longo de cinco horas, o humorista, um antigo médico cardiologista, foi libertado sob uma caução de 15 mil libras egípcias (1700 euros).
No início da última semana, também sob a acusação de insultos ao Presidente, cinco activistas políticos da oposição foram presos, um deles um bloguer acusado de escrever textos cujo teor incita à desordem pública.
O Presidente Morsi reagiu aos casos assegurando que continua empenhado na garantia da liberdade de expressão. O chefe de Estado disse ainda que as queixas apresentada contra o humorista não partiram da presidência mas de cidadãos hóstis ao programa de Bassem Youssef.

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