Julgamento de crimes neonazis na Alemanha enredado em questões processuais

A principal acusada, Beate Zschäpe, tem mantido silêncio sobre as acusações de cumplicidade em dez assassínios.

Beate Zschäpe, a principal figura do processo que decorre em Munique Christof Stache/AFP

Duas sessões de julgamento e nem sequer foi ainda lida a acusação: o caso que já está a ser chamado "o processo do século" na Alemanha, o julgamento mais significativo desde o processo das brigadas Baader-Meinhof, em 1975, está a ser dominado por recursos.

Em causa está a acusação contra Beate Zschäpe, 38 anos, que será a única sobrevivente do grupo auto-intitulado Nacional-Socialista Clandestino (NSU), um trio que será responsável pela morte de dez pessoas — oito de origem turca, um imigrante grego, e uma agente da polícia, ao longo de mais de dez anos.

Como actuaram impunemente por toda a Alemanha sem serem descobertos e a polícia sempre desconfiou de acertos de contas ou da própria família das vítimas, o caso fez com que as autoridades fossem acusadas de nunca terem pensado seriamente que a motivação dos crimes poderia ser racista.

Os outros dois elementos morreram num aparente suicídio quando estavam prestes a ser apanhados, na sequência de um assalto falhado. Quatro outros acusados de terem ajudado os suspeitos estão também a ser julgados.

O primeiro dia do processo, na semana passada, terminou com um recurso da defesa pedindo o afastamento de um dos juízes, por este poder ser “preconceituoso”. Ontem pediram que as sessões sejam realizadas noutro local, já que a sala escolhida, em Munique, tem apenas cem lugares, metade dos quais reservados para jornalistas (e ainda assim, como foram dados por sorteio, vários órgãos de comunicação social importantes ficaram de fora).
 
O procurador do Ministério Público Herbert Diemer, exasperado, comentou que “a criatividade da defesa parece não ter limites”. Ao fim do segundo dia de julgamento, ainda não tinha sido lida a acusação.
 
As atenções estavam todas viradas para a enigmática figura da principal acusada, Beate Zschäpe, que se entregou numa esquadra de polícia dias após o suicídio dos companheiros, mas não disse uma palavra sobre os crimes de que é suspeita.

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