A carta aberta da Presidente da Argentina ao primeiro-ministro britânico sobre a soberania das ilhas Malvinas provocou uma resposta do tablóide The Sun, que resolveu assumir a defesa da política externa do país, num anúncio publicado no jornal de língua inglesa Buenos Aires Herald.
"Em nome dos nossos milhões de leitores, e colocando a questão de outra forma: 'Não se meta nisso!'", lê-se num anúncio publicado no jornal argentino, em resposta à carta aberta de Cristina Kirchner, publicada na quinta-feira nos jornais ingleses The Guardian e The Independent.
Dirigindo-se directamente à "Presidente Cristina Fernandez de Kirchner", a carta do The Sun começa por lembrar a guerra travada entre os dois países de Abril a Junho de 1982: "Há 31 anos, a Argentina invadiu as ilhas Falkland [a designação usada pelos britânicos], o que resultou na perda de 255 militares britânicos, 649 militares argentinos e três civis das Falkland. Foi um acto contrário ao princípio do direito à autodeterminação proclamado pelas Nações Unidas, segundo o qual os habitantes das Falkland escolheram ser cidadãos britânicos."
Na carta aberta publicada na quinta-feira, a Presidente da Argentina escreveu que "os argentinos das ilhas foram expulsos pela Armada Real [britânica] e, em consequência, o Reino Unido iniciou um repovoamento semelhante ao que fez noutros territórios que colonizou". "Desde então, os britânicos, que são uma potência colonial, recusam devolver o território à República da Argentina, impedindo-a de restabelecer a sua integridade territorial. A questão das Malvinas é uma causa que embaraça a América Latina e a maioria dos governos de todo o mundo que rejeita o colonialismo", lê-se ainda na mensagem de Cristina Kirchner, que enviou uma cópia ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
O The Sun responde esta sexta-feira que "nenhuma população civil argentina foi expulsa". O tablóide britânico afirma que quem foi expulsa "foi uma guarnição militar argentina, que fora enviada para as ilhas para tentar impor a soberania argentina em território britânico". "A soberania britânica sobre as ilhas Falkland remonta a 1765 – ainda antes da existência da República da Argentina", lê-se ainda no texto do The Sun.
A pressão da Presidente argentina tem motivado uma guerra de palavras entre os dois governos. Em Junho de 2012, Kirchner e Cameron encontraram-se na cimeira do G20, que se realizou no México, e conversaram sobre o assunto da soberania das ilhas, com o primeiro-ministro britânico a rejeitar a proposta da Argentina de negociar o futuro das Malvinas/Falkland.
Em Junho de 2012, o governo das ilhas anunciou a intenção de realizar um referendo à população, para que os habitantes se pronunciem sobre a que país querem pertencer. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu a consulta popular e garantiu que respeitará o seu resultado: "O referendo do próximo ano irá desfazer as dúvidas sobre a opinião do povo das Falkland. O Reino Unido respeitará e defenderá a sua escolha", afirmou o governante. O referendo foi marcado para os dias 10 e 11 de Março.

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