A Praça Taksim de Istambul continuou na madrugada de domingo a ser o centro dum protesto contra o Governo de Recep Tayyip Erdogan. O movimento estendeu-se desde sexta-feira a outras cidades, como Ancara e Esmirna. Durante a noite, centenas de pessoas celebraram a ordem do Presidente Abdullah Gül para a retirada da polícia da praça, ao final da tarde de sábado. A noite foi particularmente violenta, mas o dia amanheceu mais calmo com menos gente nas ruas, descreve a Reuters que dá conta de vários apelos nos media e redes sociais para uma nova mobilização neste domingo.
Paris, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius, apelou à "contenção" das forças policiais face aos manifestantes. E em Viena, cerca de 1800 pessoas manifestaram-se no sábado contra o Governo de Ancara e em apoio aos contestatários.
Depois de anunciadas na véspera as quase mil detenções pelas autoridades e as dezenas de feridos, a maioria civis mas também polícias, a madrugada voltou a ser agitada e houve novas interpelações e novos feridos.
Durante a noite, em Ancara e Istambul, os manifestantes tentaram ocupar os edifícios onde estão instalados os gabinetes de Erdogan nestas duas cidades. Na capital Ancara, a polícia voltou a recorrer a gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar uma multidão de milhares de pessoas que se dirigiam para os gabinetes do chefe do Executivo, refere a AFP citando a agência de notícias turca Anatolia.
Os manifestantes responderam entoando slogans hostis a Erdogan, lançaram pedras da calçada e partiram semáforos e montras de algumas lojas, refere ainda a AFP que fala em dois carros incendiados.
O protesto começou como contestação a um plano de remodelação do parque Gezi na Praça Taksim mas rapidamente se transformou num movimento de contestação ao poder de Erdogan e do islâmico Partido da Justiça e do Desenvolvimento.
Perante a dimensão do protesto, o maior desde que tomou posse em 2002, Erdogan concordou com a retirada da polícia no sábado, nota a AFP, mas disse que não recuaria na decisão do plano para o parque Gezi.
Nos últimos dias tem crescido uma onda de descontentamento em relação ao primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan. A tensão subiu de tom nos últimos cinco dias, desde que teve início o movimento “Occupy Gezi”, com a ocupação do parque com este nome, junto à praça Taksim, para o qual há um plano para que seja destruído para dar lugar à reconstrução de uma caserna dos tempos do Império Otomano e um centro comercial.
Mas os protestos acabaram por dirigir-se contra Erdogan e o seu partido, que tem dado passos controversos, como limites ao consumo de álcool e alertas contra manifestações públicas de afecto, como o simples acto de beijar-se numa estação de metro.

Comentar