O cessar-fogo entre Israel e o Hamas mantém-se, apesar de o Governo de Telavive ter detido 55 palestinianos na Cisjordânia. Os líderes de ambos os lados não abandonaram o discurso bélico - o Hamas tem o "dedo no gatilho", Israel responderá severamente a incidentes.
De acordo com a informação divulgada pelo Exército de Israel, os detidos são suspeitos de pertencerem a facções, havendo entre eles “operacionais sénior”. O comunicado prossegue dizendo que Israel continuará a “manter a ordem [nos territórios palestinianos] e a prevenir a infiltração de terroristas na comunidade israelita”.
A Cisjordânia é oficialmente controlada pela Autoridade Palestiniana liderada por Mahmoud Abbas, mas muitos dos seus habitantes são simpatizantes do Hamas, a organização islamista que tem um braço político e outro armado e que governa Gaza. O Hamas rejeita a ideia de uma paz permanente com o Estado de Israel.
O cessar-fogo foi cumprido e não houve, durante a madrugada e manhã de hoje, qualquer quebra no acordo mediado pelos Estados Unidos da América e o Egipto. Uma fonte militar israelita disse à agência espanhola EFE que as milícias palestinianas tentaram lançar cinco “foguetes” já depois das 21h (hora local, momento em que o cessar-fogo começou), que foram interceptados.
Ao longo do ano, o Hamas lançou rockets para o território israelita (alguns caíram em Telavive, a capital) e no dia 14 de Novembro, e durante oito dias, Israel bombardeou Gaza, tendo chegado a sugerir uma invasão do território palestiniano na quarta-feira, após um atentado num autocarro em Telavive que feriu 15 pessoas. Os oito dias de conflito mataram 162 palestinianos e cinco israelitas.
Ontem à noite, depois de o cessar-fogo ter entrado em vigor, muitos países – EUA, Reino Unido, França… - congratularam-se pelo fim da violência. O Governo português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, emitiu uma nota do mesmo teor: “Portugal congratula-se com o anúncio do acordo de cessar-fogo que deverá permitir pôr fim às hostilidades em Gaza e no Sul de Israel. Só a cessação da violência pode acabar com o sofrimento das populações e abrir caminho a uma solução duradoura”.
Declarações de vitória
Apesar dos desejos generalizados de paz, os discursos entre os inimigos históricos permeneceu bélico. O chefe do Hamas no exílio, Kaled Meshaal, declarou vitória ao dizer que “Deus retirou Gaza das mãos dos sionistas” que “foram obrigados” a submeter-se às condições simpostas pelo movimento islamista. Meshaal, que falou no Cairo (Egipto) agradeceu o apoio do Irão durante a guerra dos oito dias; o presidente do Parlamento iraniano admitiu que o seu país prestou auxílio militar ao Hamas. Advertiu o Governo de Telavive que o Hamas tem o “dedo no gatilho”, pronto para qualquer desvio israelita ao que ficou acordado.
Após a trégua, muitos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia saíram à rua para festejar a “vitória” e as agências noticiosas relataram que foram disparados tiros em comemoração e lançados foguetes.
Do lado de Israel, e segundo a Reuters, Benjamin Netanyahu terá difo ao Presidente dos EUA, Barack Obama, que se o Hamas não cumprir a trégua Israel responderá com uma acção militar “mais severa”.
O acordo de cessar-fogo determina que Israel deve cessar todas as hostilidades em Gaza e a suavizar as restrições de movimento aos residentes (muitos trabalham em Israel) e permitindo a circulação de bens, reabrindo a fronteira.
Aos palestinianos é exigido que cessem os ataques contra o território israelita, com rockets ou outros meios.

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