Inspectora da polícia tentou vender informações ao News of the World

April Casburn é a primeira condenada desde a reabertura do inquérito às escutas telefónicas do tablóide que Rupert Murdoch encerrou em 2011.

April Casburn tentou boicotar uma investigação sensível Andrew Winning/Reuters

Uma antiga inspectora da brigada antiterrorista britânica foi condenada por ter tentado vender informações sobre o escândalo das escutas telefónicas feitas pelo News of the World ao próprio tablóide de Rupert Murdoch.

Esta é a primeira condenação no caso desde a reabertura do inquérito, em 2011.

Na altura em que as escutas estavam a ser investigadas, a inspectora-chefe April Casburn dirigia o departamento das investigações de terrorismo financeiro na unidade antiterrorista da Scotland Yard.

Segundo o que o tribunal de Londres apurou, depois de um membro da sua equipa ter iniciado um inquérito financeiro no âmbito das investigações sobre as escutas telefónicas realizadas pelo News of the World, Casburn telefonou aos responsáveis do jornal, propondo dar-lhes informações em troca de dinheiro.

A inspectora “tentou boicotar, desde o início, um inquérito sensível”, considerou o procurador Mark Bryant-Heron. “Trata-se de uma violação grave da confiança pública colocada num oficial da polícia”, descreveu, considerando o comportamento de Casburn “escandaloso”.

“É uma grande desilusão que uma inspectora no comando de contraterrorismo tenha abusado desta forma da sua posição”, disse à imprensa britânica o superintendente Gordon Briggs, que supervisiona a investigação às escutas telefónicas e casos de corrupção de funcionários públicos relacionados.

Casburn reconheceu ter contactado com o jornal, mas negou ter proposto passar informações que não fossem do domínio público ou ter pedido dinheiro. O tribunal ainda não fixou a pena que aplicará à inspectora, que está suspensa.

Em 2007, um jornalista e um detective privado foram condenados por escutas telefónicas a colaboradores da família real. O News of the World garantiu que era uma questão pontual e não a sua forma habitual de agir, mas em 2011, face a novas informações, a polícia reabriu o caso e Murdoch acabou por encerrar o jornal em Julho desse ano.
 
 
 

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