Os independentistas flamengos saíram vencedores das eleições municipais de domingo na Bélgica, com resultados esmagadores por toda a região da Flandres e com o líder do Partido Nacionalista Flamengo, Bart De Wever, a ser o mais votado na corrida para a presidência municipal de Antuérpia, a segunda maior cidade portuária da Europa.
De Wever veio já capitalizar estes resultados de claro ganho de força dos independentistas no cenário político belga, instando o primeiro-ministro, Elio Di Rupo, a negociar quanto antes a instituição de um estado confederado na Bélgica – mas mantendo-se distante de um cenário de separação pura e simples.
“Este é um domingo amarelo e preto!”, regozijou-se o populista líder dos independentistas, evocando as cores do seu partido e da Flandres, face a uma multidão de apoiantes. O dia, insistiu, “é histórico”. “Os flamengos devem poder gerir [a Flandres] como bem entendem. E por isso apelo a Elio Di Rupo e a todos os políticos francófonos: assumam as vossas responsabilidades e preparem connosco a reforma para a confederação. Assim poderemos lançar as bases para uma verdadeira solidariedade neste país”.
Durante a campanha o líder dos independentistas flamengos defendeu que o norte da Bélgica, com cerca de seis milhões de habitantes (do total de 11 milhões no país) deve gozar de independência fiscal, mas continuar a partilhar alguns interesses com o sul francófono, nomeadamente na Defesa.
O chefe do Governo recusou-se porém a fazer quaisquer leituras nacionais dos resultados nas eleições municipais e não deu para já resposta ao apelo de De Wever. “Não há relação entre eleições locais e eleições federais [a realizarem-se em Junho de 2014]”, afirmou, defendendo o seu “Governo de reformas” institucionais e económicas e dizendo-se convicto de que tal será “reconhecido pelos cidadãos na Flandres, em Bruxelas e na Valónia”.

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