“Há mais mortes aqui do que no Iraque”

Desde há dois anos que Ciudad Juárez se tornou no epicentro da guerra ao narcotráfico no México. Só em 2009, mais de 2500 pessoas foram assassinadas naquela que é considerada uma das cidades mais perigosas do mundo.

Em Novembro, um repórter da BBC em Juárez dava conta das manchetes dos jornais: “Mais pessoas são assassinadas aqui do que no Iraque”. Foi enviada uma brigada de sete mil soldados do Exército e dois mil polícias federais, para ajudar a polícia municipal a patrulhar as ruas. As forças respondem directamente ao Presidente Felipe Calderón.

Mas nada disso foi suficiente para controlar a violência nesta localidade de 1,5 milhões, perto da fronteira com o Texas, e que se tornou numa plataforma fulcral na rota do tráfico que segue para os EUA. As estimadas 165 mortes por 100 mil habitantes de Juárez tornam-na a capital mundial do homicídio – Bagdad, a capital iraquiana, conta com 48 mortes violentas por 100 mil habitantes – referia o "Wall Street Journal", num artigo também de Dezembro. A isso não é indiferente o facto de duas das mais poderosas quadrilhas mexicanas lutarem pelo seu controlo.

O diário norte-americano escrevia ainda que “o caos de Ciudad Juárez mergulhou o Exército mexicano, a instituição mais respeitada do país, no que talvez seja uma situação sem hipóteses de vitória”. E adiantava: “Enquanto a violência aumenta, também aumentam as alegações de abusos de direitos humanos por parte do Exército. A incapacidade de pacificar Ciudad Juárez deixou a estratégia antidrogas de Calderón — baseada largamente no uso de militares para retomar o controle de cartéis da droga que corromperam policiais e políticos locais — numa situação constrangedora”. F.G.H.

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