Quatro regiões da Tunísa, entre elas Sidi Bouzid, berço da revolução de 2010-2011, estão em greve esta quinta-feira, devido a um braço de ferro entre os sindicados e os islamistas no poder. No dia 13 de Dezembro haverá uma greve geral num país mergulhado numa grave crise socio-política.
Além de Sidi Bouzid (centro-oeste do país), também Kasserine, Gafsa (região mineira) e Sfax (Sul, a segunda maior cidade da Tunísia) estão paradas.
Os governos locais são classificados de instáveis e acusam o poder central de os marginalizar do ponto de vista económico. Os confrontos têm sido recorrentes nestas quatro regiões, não tendo parado depois da revolução que começou no dia 17 de Dezembro em Sidi Bouzid após a imolação d eum vendedor ambulante em protesto contra a miséria e a violência policial. O Presidente Ben Ali foi deposto em Janeiro.
As greves têm como objectivo denunciar o ataque, na terça-feira, de militantes islamistas ccontra o principal sindicato tunisino, a União Geral do Trabalho (UGTT), em Túnis, a capital do país.
O ataque ocorreu depois de uma semana de confrontos entre grevistas, manifestantes e polícias em Siliana (sudoeste de Túnis). Houve um apelo à greve que acabou no ferimento de 300 pessoas.
A maior parte das instituições públicas e privadas das quatro regiões encontram-se encerradas e só os pequenos cafés e lojas de bairro abriram as portas esta manhã.
Centenas de grevistas manifestaram-se em Sidi Bouzid, entoando palavras de ordem contra o Ennahda, o partido islamista no poder (venceu as eleições). "Exigimos a demissão do Governo" e "O Ennahda vendeu a Tunísia" eram algumas das palavras de ordem.
A UGTT diz que, no toral das quatro regiões, a greve tem uma adesão de 95%, sendo um ensaio para a grande greve geral de dia 13.

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