Partidos do centro apelam a governo de salvação nacional na Grécia

As urnas fecharam na Grécia e as primeiras projecções dão ligeira maioria à eventual coligação entre os partidos pró-medidas de austeridade, Nova Democracia e PASOK, mas é incerto se suficiente para uma maioria parlamentar. O partido de esquerda radical Syriza pode ser a segunda força política. Acompanhe ao minuto os resultados das eleições gregas.

23h31 Com 67% dos votos contados, o Nova Democracia tem 19,79% dos votos, o Syriza 16,27%, o PASOK 13,63%, os Gregos Independentes 10,49%, o Partido Comunista 8,36%, o Aurora Dourada 6,88% e a Esquerda Democrática 6,04%.

23h16 Mesmo que consigam formar um governo de coligação, o Nova Democracia e o PASOK ficam isolados no Parlamento, rodeados de partidos contra o memorando.

22h49 Com metade dos votos contados, a abstenção mantém-se nos 38%. Nas eleições de 2009 tinha sido de 30%.

22h47 Com os resultados até agora disponíveis, estarão sete partidos representados no Parlamento grego: Nova Democracia, Syriza, PASOK, Gregos Independentes, Partido Comunista, Aurora Dourada e Esquerda Democrática. Até agora eram apenas cinco.

22h26 O líder do Partido Popular Europeu mostrou-se satisfeito com o voto de confiança dos gregos no Nova Democracia, com 20% dos votos. “A Grécia é uma parte indispensável e inegável da Europa”, afirmou. “Reconhecemos que haverá dificuldades na formação de um governo na Grécia, de acordo com os resultados até ao momento. No entanto, desejamos sorte a Antonis Samaras nas negociações para formar um governo de coligação e apoiamos todos os seus esforços no sentido de garantir um rumo para o país na Europa e para o trazer de volta para o crescimento e a recuperação económica.”

22h09 Com 41,76% dos votos contados, o Nova Democracia surge com 20,27%, o Syriza com 15,87%, o PASOK com 13,97%, os Gregos Independentes com 10,38%, o Partido Comunista com 8,35% e o Aurora Dourada com 6,85%, informou o Ministério do Interior grego.

22h02 “A Grécia não é senão o começo”, prometeu o líder do Aurora Dourada.

21h58 O líder do Aurora Dourada prometeu lutar contra a “escravidão” imposta ao país pela União Europeia e pelo FMI. Cerca de 200 apoiantes compunham a sala em que falava, enquanto outros lançavam petardos no exterior, celebrando o resultado histórico para o partido.

21h53 “A hora do medo soou para os traidores à pátria”, anunciou esta noite o líder do neonazi Aurora Dourada, Nikos Mihaloliakos, depois de ver garantida uma entrada em força no Parlamento, com 19 deputados num Parlamento com 300 assentos e 7% dos votos, segundo as sondagens à boca das urnas. “Nós estamos a chegar”, disse numa conferência de imprensa num hotel em Atenas, rodeado por uma dúzia de homens de cabeça rapada, descreve a AFP.

21h38 Antonis Samaras diz que as medidas até aqui implementadas pelo PASOK atingiram os limites. “A Nova Democracia está a emergir como primeiro partido e isso aumenta a sua responsabilidade”, disse o líder do partido mais votado nestas eleições. ”Entendo a raiva das pessoas, mas o nosso partido não vai deixar a Grécia ingovernável.”

21h14 O líder da direita Antonis Samaras propõe a formação “de um governo de salvação nacional” para permitir manter a Grécia no euro. A sua Nova Democracia foi o partido mais votado, com 17 a 20% dos votos, segundo as sondagens à boca das urnas e as primeiras projecções.

21h12 O dirigente socialista e ministro das Finanças do Governo cessante, Evangélos Vénizelos, sublinha que esta “viragem radical do cenário político não significa o fim da crise”. O PASOK, que as sondagens colocavam em segundo, surge como terceira força política nas primeiras projecções.

21h08 “Nós não somos contra o euro mas opomo-nos às políticas que estão a ser seguidas em nome do euro”, disse ainda Alexis Tsipras, o carismático líder da esquerda radical do Syriza, que as sondagens e projecções indicam ter passado a ser o segundo maior partido grego, à frente dos socialistas do PASOK. “O Syriza pode ser o catalisador para uma grande mudança.”

21h03 “Durante dois anos eles tomaram decisões sem nos perguntar nada”, disse o líder do Syriza, Alexis Tsipras, falando aos apoiantes em Atenas. “O povo grego não lhes deu o mandato para tomar aquelas decisões. No país onde nasceu a democracia não há democracia nenhuma. Chegou o tempo de regressar à democracia.”

20h52 O líder dos Gregos Independentes, Panos Kammenos, disse que está disposto a participar num “governo de salvação nacional”, mas que não fará parte de um “governo com objectivos especiais”, que sirva os banqueiros. Lembrou que o seu partido, que as projecções colocam em quarto lugar, partilha das posições do Syriza, que deverá ser o segundo partido mais votado, nas questões económicas, mas que as suas posições divergem em matéria de política externa, imigração ilegal e relações com a Turquia.

20h48 O líder do Syriza, Alexis Tsipras, entende que os resultados eleitorais deste domingo são "uma mensagem de protesto pacífico na Europa" e que a chanceler alemã, Angela Merkel, deve perceber que a austeridade saiu derrotada nestas eleições. Mas sublinha: "Ganhámos uma batalha, mas não a guerra".

20h41 São muitas as fotografias que estão a chegar ao Flickr que mostram o domingo eleitoral na Grécia.

20h33 O partido Gregos Independentes excluiu qualquer participação num governo de coligação que integre partidos pró-austeridade.

20h25 A abstenção foi de 40%, de acordo com estimativas no Ministério do Interior. Um número quase recorde, superior ao das três últimas eleições (30% em 2009, 26% em 2207 e 24% em 2004).

20h03 O líder do PASOK e ex-ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, que foi vaiado neste domingo quando foi votar, apelou à formação de um governo de unidade nacional que inclua todos os partidos a favor do plano de austeridade negociado com a troika. Venizelos entende que os eleitores não deram um mandato claro a nenhuma das forças políticas e que formar uma coligação (com o Nova Democracia) é difícil.

19h58 As projecções apontam para 109 assentos para o Nova Democracia, 50 para o Syriza e 42 para o PASOK.

19h52 O número de deputados com base nas projecções da Sky, o Nova Democracia terá 109 deputados, o Syriza 50, o PASOK 42, o Gregos Independentes 32, o Partido Comunista 26, o Aurora Dourada (extrema-direita) 22 e a Esquerda Democrática 19. Os comentadores já decretaram o fim do bipartidarismo na Grécia. A queda do PASOK é o dado mais impressionante: o partido tinha tido 43,9%. A confirmarem-se estas sondagens, o Nova Democracia e o PASOK terão 151 deputados num Parlamento de 300.

19h44 Uma projecção com base em 10% dos votos contados e os resultados das sondagens à boca das urnas da estação de televisão grega Sky mostra a coligação de esquerda radical, Syriza, claramente em segundo lugar, uma surpresa em relação ao que tinham previsto as últimas sondagens pré-eleitorais (de 20 de Abril), que o davam em terceiro ou mesmo quarto. O Nova Democracia obtém, segundo esta projecção, 19,7%, o Syriza 16%, o PASOK 14, seguindo-se os Gregos Independentes com 10%, os comunistas com 8,6%, os neonazis com 7% e a Esquerda Democrática com 5,8%. O LAOS (extrema-direita) e o partido ecologista aparecem ambos com 2,9%, falhando assim por pouco a entrada no Parlamento.

19h40 As eleições francesas são o tema mais discutido pelos portugueses no Twitter. Mas na twittosfera de Lisboa é a Grécia que domina o debate.

19h29 Observação de um utilizador do Twitter, Michalis Frag, em grego: "Pela primeira vez, a taxa de desemprego na Grécia é superior à percentagem do partido mais votado".

19h26 Segundo uma sondagem feita esta tarde pelo instituto GPO, 61% dos gregos são favoráveis à formação de uma coligação governamental.

19h21 O partido neonazi Aurora Dourada surge nesta segunda sondagem à boca das urnas com 6 a 8% dos votos, o que lhe garantirá pelo menos 20 deputados.

19h13 À frente surge a Nova Democracia, com 19% a 20,5% dos votos, seguido do Syriza, que consegue entre 15,5 e 17%. O PASOK, que em 2009 obteve 44%, aparece nesta sondagem com 13 a 14%.

19h09 O partido de esquerda radical Syriza tornou-se na segunda força polícia grega, à frente dos socialistas do PASOK, segundo uma nova sondagem à boca das urnas difundida pelos canais de televisão locais.

19h04 A primeira tarefa do novo governo será decidir onde cortar cerca de 11,5 mil milhões de euros para enfrentar os esperados buracos orçamentais em 2013 e 2014, escreve o Wall Street Journal. Nas próximas semanas, a troika de inspectores internacionais da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional estará em Atenas para discutir as novas medidas de austeridade.

18h53 O site do partidos Nova Democracia está em baixo. Segundo a agência grega Amna, o mesmo aconteceu com os sites do PASOK e do Ministério do Interior.

18h58 Mark Lowen, correspondente da BBC em Atenas, admite que “as sondagens à boca das urnas não reflictam os resultados finais. Mas a confirmarem-se estas indicações, escreve Lowen no site da emissora britânica, “isto pode provocar uma intensa instabilidade”: a Nova Democracia “pode ser incapaz de formar governo, podem suceder-se pedidos para repetir a eleições e até partidos da esquerda e da direita que são contra o memorando [assinado com a troika] podem tentar formar governo”.

18h53 No Twitter, a utilizadora @GhostysGirls mostra, numa fotografia tirada por telemóvel, a polícia da principal esquadra de Salónica a preparar-se para as eventuais reacções populares aos resultados desta noite.

18h50 Na sede dos socialistas do PASOK, “o ambiente foi piorando à medida que a eleição progredia”, descreve Alkman Granitsas, no Wall Street Journal. “Esperamos receber a principal parte da cólera dos eleitores”, disse ao diário um veterano responsável do partido. “Não penso que o resultado desta noite vá apontar para nenhuma possibilidade de governo.”

18h44 Vai falar o líder do partido Aurora Dourada, Nikolaos Michaloliakos. É o primeiro líder de partido a falar. O Aurora Dourada aparece em quinto lugar com entre 5 a 8% nas sondagens à boca das urnas, quando nas eleições passadas tinham tido 0,29%. O LAOS, a extrema-direita mais tradicional e anti-semita, terá obtido entre 2 a 4%, não sendo certo se consegue os 3% necessários para conseguir representação parlamentar (em 2009 tinham tido 5,5%).

18h28 As projecções anunciam um surpreendente sucesso para os Gregos Independentes, partido formado por um dissidente da Nova Democracia, Panos Kammenos. Terão conseguido 10 a 12%, o que lhes pode dar o quarto lugar.

18h22 A diferença de representação parlamentar do primeiro colocado em relação aos restantes deve-se a um bónus chamado o círculo do território, que dá mais 50 deputados ao partido vencedor. A ideia por trás deste bónus, cujo número de deputados foi aumentando com o passar dos anos, é que os gregos quando votam nas legislativas estão a votar para serem governados mais do que para serem representados.

18h14 Conservadores da Nova Democracia dizem, segundo a Reuters, que não vão pedir a repetição das eleições.

18h09 As negociações para formar uma coligação podem realizar-se ao longo de três dias. Se o vencedor falhar, o partido que ficar em segundo pode tentar formar uma aliança – se este não conseguir, o terceiro recebe mandato para nova tentativa. Caso a Grécia continue sem Governo no fim deste processo, os gregos serão chamados a regressar às urnas.

18h00 Um responsável do conservador Nova Democracia reivindicou há pouco o “primeiro lugar” para o seu partido, que desde Novembro governa com os socialistas numa coligação. “Somos o primeiro partido, isso é claro”, disse a um canal de televisão grego Méga Panos Panayotopoulos. Segundo responsáveis da formação de centro-direita, o partido quer reivindicar a possibilidade de formar um governo de coligação.

17h51 Os eleitores castigaram de modo forte, mas não surpreendente, os dois principais partidos, que em geral conseguem, juntos, percentagens próximas dos 90% e nas eleições passadas de 2009 obtiveram quase 80%: o vencedor PASOK, então com Giorgios Papandreo, venceu com 44% e 160 deputados, o Nova Democracia 33,5% e 91 deputados, o Partido Comunista com 7,1% a que corresponderam 21 deputados, e o Syriza com 4,6%, que lhes deu 13 deputados. Os neonazis 0,29%, bem longe dos 3% necessários para ter representação parlamentar.

17h48 O Syriza, coligação de esquerda radical que defende a reavaliação da dívida, poderá chegar ao segundo lugar, ultrapassando o PASOK. Com base nas previsões da Sky, no Parlamento de 300 deputados 108 a 120 serão ocupados pelo centro-direita do Nova Democracia, 40 a 51 pelo Syriza, 37 a 48 pelo PASOK 21 a 30 pelo PC e 14 a 23 pela extrema-direita neonazi.

17h45 Segundo as projecções da televisão grega Sky, o Nova Democracia surge com entre 20,5 e 24%, o PASOK entre 13 e 17%, e o Syriza entre 14 e 18%. O Partido Comunista 7,5 a 10,5%. O partido neonazi de extrema-direita Aurora Dourada entra na primeira vez no Parlamento, com 5 a 8%. A Sky mostra ainda previsões de outras televisões, em que o Nova Democracia aparece com apenas 17 a 20%, o Syriza entre 14 e 18%, e o PASOK entre 13 e 17%.

À partida para estas eleições legislativas antecipadas na Grécia, uma coligação entre os socialistas do PASOK e os conservadores da Nova Democracia parece a única saída para constituir um Governo que salvaguarde o programa negociado com a troika e o euro. No entanto, apesar de a esmagadora maioria da população (77%) ser favorável à manutenção da moeda única europeia, estes são os dois partidos responsáveis pela actual falta de credibilidade dos partidos políticos na Grécia.

Os dois partidos do centro, que defendem medidas de austeridade, são os mesmos que têm alternado no poder desde 1974: a Nova Democracia (centro-direita) e o PASOK (centro-esquerda). Até à crise, a Grécia nunca foi governada por uma coligação, o que deixa antecipar as dificuldades que os partidos terão a partir de amanhã nas negociações para formar governo.

32 partidos, incluindo vários criados já durante a crise económica dos últimos anos, disputaram as legislativas antecipadas. O voto é obrigatório para os cerca de 9,8 milhões de eleitores na Grécia, mas não há penalizações para quem não vá votar.

Recorde-se que a crise da dívida estalou na Grécia nos finais de 2009, com a revelação de que o défice público subira nesse ano de 6% para 12,7%, um valor revisto mais tarde para 15,4%. Como consequência do descontrolo das contas públicas, causado em grande parte pela ocultação de dados às instâncias europeias, a Grécia foi o primeiro país a recorrer aos fundos da União Europeia e do FMI, em Maio de 2010.

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