Governo venezuelano diz que Chávez está "estável" e mobiliza apoiantes para quinta-feira

O Presidente está "estável", diz um comunicado. Os venezuelanos continuam sem saber o que isso quer dizer – estará a recuperar ou em fim de vida?

O que quer dizer "Chávez está estável"? Gerardo Garcia/Reuters

O Governo venezuelano mobilizou os apoiantes para, na quinta-feira – quando Hugo Chávez deveria tomar posse pela quarta-vez – saiam à rua em apoio ao Presidente. Um comunicado de segunda-feira à noite diz que Chávez está "estável".

"O Presidente encontra-se numa situação estável em relação à notícia mais recente, quando informámos sobre a insuficiência respiratória que enfrenta", disse o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, na televisão pública.

No espaço de um ano e meio, Chávez foi operado quatro vezes em Cuba a um cancro na região pélvica e submeteu-se a vários tratamentos, entre eles quimioterapia. A última cirurgia, no dia 11, foi muito longa e deixou-o muito debilitado, com os pulmões a falharem na sequência de uma infecção.

O Governo tem garantido que Chávez está consciente do estado em que se encontra, o que pode querer dizer que – e numa linguagem pouco técnica – está "acordado". A oposição tem dúvidas e quer que o relatório médico seja divulgado e que inclua, além de um diagnóstico, um prognóstico – pode recuperar e ser o Presidente, ou deve ser considerado incapacitado?

A questão central, desde que se tornou evidente que Chávez não estará em Caracas quinta-feira para tomar posse (10 de Janeiro é a data prevista pela Constituição), é precisamente esta: os chavistas estão a tentar prolongar a vida do regime artificialmente, ao não admitir que terão que começar a prepara o chavismo sem Chávez?

O Supremo Tribunal venezuelano vai pronunciar-se, entre hoje e quinta-feira, sobre o assunto. Os editoriais e análises dos jornais venezuelanos – e de alguns espanhóis, por exemplo o El País, que seguem sempre com grande atenção a política da América Latina – dizem esta terça-feira que é provável que o Supremo opte pela excepção que a Constituição permite: aceitar a ausência de Chávez por 90 dias (como fez o Parlamento, que aprovou este "desaparecimento") que podem ser prolongados por mais 90.

Neste caso, e ao contrário do que pede a oposição, não há lugar para presidências interinas do país. A Venezuela continuará a ser governada pela equipa de Chávez ("Governo em estado de coma", chamou-lhe o El País), esperando notícias concretas de Cuba. Ou de Caracas, a acreditar nas palavras do presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, que disse que as decisões estão tomadas e, depois, foi misterioso.

"Não rejeitamos qualquer hipótese, mas de certeza que não vamos chegar ao dia 10 sem saber o que fazer", disse Cabello, anunciando que haverá "acontecimentos" nas ruas e cerimónias "em que estarão presentes presidentes de países amigos e alguns primeiro-ministros". E toda a Venezuela, disse, deve estar nessa dia "em frente ao Palácio de Miraflores", a sede do Governo.
 
 
 

Comentários

Comentar

Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários.

Caracteres restantes:

Nos Blogues