Governo russo rejeita sanções contra a Síria no Conselho de Segurança

Serguei Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia AFP

O Governo da Rússia anunciou esta quarta-feira que continua a opor-se à aprovação de sanções contra a Síria pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia tem direito de veto neste organismo.

Em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov criticou as potências ocidentais por insistirem numa acção "unilateral". "Não podemos apoiar uma porposta que impõe sanções unilateralmente e sem que a Rússia e a China tenham sido consultados", disse Lavrov aos jornalistas após um encontro com o seu homólogo turco, Ahmet Davutoglu. Essa solução seria "desonesta" e "contraprodutiva", considerou.

Na terça-feira, e após o Presidente sírio Bashar al-Assad ter rejeitado o mapa da Liga Árabe para a transição política naquele país - saída de Assad e criação de um governo de unidad enacional -, os árabes fizeram saber que pediriam a intervenção do Conselho de Segurança. Representantes da França e da Grã-Bretanha disseram esperar que este pedido, vindo dos próprios árabes, levasse a Rússia a mudar a sua posição sobre a aprovação de uma resolução sobre a Síria.

Lavrov, porém, disse que o seu país vai insistir numa solução negociada para o conflito sírio, que entra no 11.º mês e matou mais de cinco mil pessoas.

A Rússia foi recentemente criticada por ter firmado com o regime sírio, dirigido pelo Presidente Bashar al-Assad, um acordo para o fornecimento de aviões de combate, após um pedido de embargo de venda de armas ao Governo de Damasco por parte dos Estados Unidos. Na sequência da polémica, os russos explicaram que se trata de um contrato para a construção de aviões, ou seja não é uma entrega imediata, e que os aparelhos só começarão a ser construídos depois dos primeiros pagamentos.

Lavrov, citado pela Reuters, não comentou o pedido da Liga Árabe para se reunir com o Conselho de Segurança; o encontro poderá ter lugar na segunda ou na terça-feira, de acordo com fontes diplomáticas à AFP. Tão pouco se pronunciou sobre o plano de Liga, que prevê o afastamento de Assad. A Rússia é um país aliado da Síria (os laços Moscovo-Damasco recuam à era soviética) e Lavrov insistiu apenas que o seu país vai continuar a procurar uma resolução pacífica.

"Não vemos uma solução fácil, mas concordámos em continuar o diálogo, em manter o contacto com outros países e em ajudar a encontrar uma solução", disse o ministro.

Já no discurso sobre o estado da nação que fez esta madrugada (hora portuguesa), o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que Assad tem os dias contados. “Há um ano, Khadafi era um dos ditadores há mais tempo no poder - um assassino com sangue americano nas mãos. Hoje, desapareceu. (...) Não tenho dúvida de que na Síria o regime de Assad vai descobrir muito em breve que as forças da mudança são irreversíveis, e que a dignidade humana não pode ser roubada".

Chefe do Crescente Vermelho morre

Enquanto se trocam palavras no plano diplomático, no terreno a violência continua. Em Idlib, num atentado cuja autoria não foi ainda apurada, morreu o chefe do Crescente Vermelho na cidade, Abdulrazak Jbero.

E as forças governamentais, em especial a milícia shabiha, bombardearam Hama com artilharia pesada e explosivos. Segundo as organizações de defesa dos direitos humanos no local, há vários mortos e muita destruição. De acordo com uma fonte da estação de tv Al-Arabiya, cerca de quatro mil homens do Governo de Assad, apoiados por tanques, estão desde terça-feira a atacar em contínuo esta cidade que fica a 290km da capital, Damasco.
Em Idlib, num atentado cuja autoria não foi ainda apurada, morreu o chefe do Crescente Vermelho na cidade, Abdulrazak Jbero.

Notícia actualizada às 19h11

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