A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, anunciou a abertura de um inquérito público nacional sobre a resposta das instituições às numerosas queixas de abusos sexuais de crianças, depois de uma série de escândalos envolvendo padres católicos.
O anúncio surge dias depois de ser anunciada a abertura de um inquérito em Nova Gales do Sul, onde o inspector-chefe Peter Fox acusou a hierarquia da Igreja Católica de ter tentado encobrir e de destruir provas de uma série de casos de abusos de menores envolvendo padres.
“Foi revelado que os agressores foram mudados de um lugar para o outro, em vez de ter sido denunciada a natureza dos seus crimes”, disse Julia Gillard numa conferência de imprensa esta segunda-feira.
“Houve muitos adultos que se recusaram a ver este mal” e “eu penso que nestas circunstâncias é apropriado propor uma resposta nacional através de uma comissão real”, disse a primeira-ministra sobre o inquérito que não se cingirá apenas à Igreja. Na Austrália, uma comissão real é a autoridade que conduz um inquérito deste género por iniciativa do Governo.
Peter Fox, que investiga casos de abusos sexuais há 35 anos e fez esse pedido numa carta aberta, diz ter provas “irrefutáveis” de que um arcebispo, um bispo e um sacerdote encobriram casos de pedofilia no vale de Hunter, uma região de Nova Gales do Sul, a 170 quilómetros de Sydney. Por causa destas acusações já tinha sido aberto um inquérito naquele estado há uma semana.
Um outro inquérito semelhante a este está a decorrer no estado de Victoria, onde em Setembro a Igreja reconheceu que desde a década de 1930 pelo menos 620 crianças tinham sido vítimas de abusos por padres católicos.
Nos últimos anos a Igreja Católica surgiu associada a uma série de escândalos de pedofilia noutros países como a Áustria, a Bélgica, a Irlanda, a Alemanha e os Estados Unidos.

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