Papa Francisco: "Foram quase até ao fim do mundo para me buscar"

Argentino tem 76 anos. Será o primeiro latino-americano e o primeiro jesuíta a dirigir a Igreja Católica. Primeira missa na terça-feira. Assim que foi eleito, telefonou a Bento XVI. "Rezem por mim para que seja abençoado", disse o Papa aos fiéis que o aguardavam na Praça de São Pedro.

O novo Papa foi eleito nesta quarta-feira. O fumo branco saiu às 18h06 da chaminé da Capela Sistina, indicando que um nome recolheu os votos de dois terços dos cardeais. Uma hora depois, Francisco falou pela primeira vez como Papa. "Vocês sabem que o dever do conclave era dar um bispo a Roma. Parece que os meus irmãos cardeais foram quase até ao fim do mundo para me buscar. Mas aqui estamos." O resumo do dia, minuto a minuto.

O Papa Francisco não gosta de viajar. Quem o conta é o bispo auxiliar de Buenos Aires, Eduardo Garcia. “Não o vejo como como um Papa viajante. Na verdade Bergoglio não gosta de viajar”, declarou García à cadeia de Todo Noticias. García disse ainda que a escolha de Bergoglio é um reconhecimento do trabalho feito na região. “Na América Latina, trabalhamos de forma muito intensa na nossa missão e na evangelização.”

A Argentina é um país de católicos, mas também de futebol. E surge a curiosidade de o clube de futebol San Lorenzo se congratular pelo facto de o novo Papa ser seu adepto. “É um orgulho para a instituição saber que o primeiro Papa seja sul-americano e sócio do San Lorenzo”, disse o clube, numa mensagem na rede social Twitter. Na mensagem, o San Lorenzo publicou uma foto do cartão de sócio de Bergoglio, com o número 88.235.

Os argentinos festejam a eleição do primeiro Papa sul-americano.

Francisco e não Francisco I. Depois de inicialmente até mesmo o site do Vaticano se referir ao novo Papa como Francisco I, o porta-voz do Vaticano pediu para que o novo Papa seja tratado apenas como Francisco. "Será Francisco I depois de termos um Francisco II”, disse Federico Lombardi, citado pela AP.

Francisco deverá escolher um novo secretário de Estado. Alguém em “quem ele confie”, disse o porta-voz do Vaticano.

"Auguro que o caminho que hoje começamos será frutífero para a Igreja". Esta foi uma das promessas deixadas pelo novo Papa.

Sofia Lorena, em Roma Maria Cecília é colombiana mas vive há dois anos em Roma e trabalha como guia no Museu do Vaticano. “Vivi este conclave muito de perto e tinha todas as esperanças… Agora, posso acreditar que Deus existe e que a justiça existe. Porque havia muitas coisas que não iam bem, eu sei isso, que trabalho ali dentro”, diz. “Com este Papa as minhas esperanças de mudança podem tornar-se reais. A justiça existe e acredito que hoje tenha começado uma mudança importante para toda a humanidade.”

A associação que representa os homossexuais católicos em Portugal manifestou o seu "profundo desalento" pela escolha do cardeal argentino Jorge Bergoglio como sucessor de Bento XVI, pelas suas posições contra a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Neste momento de alegria para todos nós católicos, não podemos deixar de partilhar o nosso profundo desalento pela escolha do cardeal argentino Jorge Bergoglio para papa. Enquanto homossexuais católicos, não nos podemos esquecer das inúmeras posições públicas e no seio da igreja do cardeal Bergoglio", afirma a Associação Rumos Novos em comunicado. Os homossexuais católicos recordam que o novo Papa, Francisco, se referiu ao casamento entre pessoas do mesmo sexo como sendo "um plano de Satanás para enganar os filhos de Deus"

Sofia Lorena em Roma “Depois de Bento XVI, com a situação da Igreja assim… É o primeiro Papa latino-americano. E é um santo, muito boa pessoa”, assegurava Susana, um pouco mais tranquila, ainda muito emocionada, explicando por fim que também ela é de Buenos Aires, cidade onde nasceu o novo Papa. “O Messi marcou quatro golos [na verdade foram apenas dois golos frente ao Milan]! E agora, este marcou mais golos ainda num pontapé só!”

Sofia Lorena, em Roma Susana não tinha trazido a bandeira, mas não foi por isso que ela e o grupo de argentinos com que viajou até Roma deixaram de fazer a festa. Noutro ponto da praça, Silvia segurava a bandeira do seu país. O Papa já não estava na varanda, já tinha dito “Boa-noite. Vemo-nos em breve”, mas a argentina Silvia ficou. Não foi a única: ali perto, um grupo de padres espanhóis que “os bispos mandaram para Roma estudar” divertiam-se a fazer-se fotografar ao lado uns dos outros, como uma equipa de futebol, bandeira espanhola e italiana bem abertas, em primeiro plano. Foi o sevilhano Carlos Enrique que vislumbrou Silvia e a sua bandeira – não tardou que estivessem ambas a pousar para as máquinas ao lado dos jovens padres espanhóis, enquanto estes pulavam e gritavam “Que viva o Papa” e “Francisco, Francisco, Francisco”.

Cavaco Silva foi um dos primeiros chefes de Estado a reagir e mostra esperança nas boas relações com o novo Papa.

Sofia Lorena, em Roma “Podes imaginar o que é que estou a sentir? O que é que significa para mim o Papa ser argentino?”, perguntou-nos Susana, uma católica da Argentina que teve a sorte de estar no Vaticano no momento em que o mundo ficava a saber que o próximo Papa se chama Francisco e é o primeiro latino-americano eleito Sumo Pontífice. “”Não”, respondemos com sinceridade. “Pues, jo si!”

As primeiras palavras do Papa Francisco na varanda do Vaticano foram: “Vocês sabem que o dever do conclave era dar um bispo a Roma. Parece que os meus irmãos cardeais foram quase até ao fim do mundo para me buscar. Mas aqui estamos”

Sofia Lorena, em Roma Católicos de todo o mundo estavam na Praça de S. Pedro quando saiu fumo branco e ali continuaram à espera até conhecerem o novo Papa. Nem todos o reconheceram de imediato, quando surgiu à varanda, às 20h13 (19h13 em Portugal), mas nem um minuto tinha passado e já se ouviam muitos gritos em espanhol, com uma pronúncia particular. “Deus, Deus, Deus”, exclamava Susana. “Deus, meu Deus”, respondeu-lhe Maria Cecília, que é colombiana, mas explicou que se sente como se fosse argentina, ou como se o novo Papa fosse colombiano. “E a bandeira?”, perguntou a Susana. “Não sei, não trouxemos”, respondeu-lhe a argentina, enquanto pulava e gritava e aplaudia, tudo ao mesmo tempo. E a seguir, já com lágrimas a saltarem-lhe do rosto: "Deus, é argentino. Não posso acreditar."

Vaticano confirma que a primeira missa celebrada por Jorge Mario Bergoglio como Papa Francisco será realizada na próxima terça-feira (19 de Março). Após a sua eleição, Jorge Mario Bergoglio telefonou ao Papa emérito Bento XVI. Segundo o Vaticano, Francisco I irá visitar o seu antecessor “muito em breve”.

Começam a surgir as primeiras reacções à escolha do primeiro Papa sul-americano. "Recebemos o Papa Francisco, o primeiro Papa latino-americano", congratulou-se Juan Manuel Santos, Presidente da Colômbia.

A escolha de Francisco foi uma das mais rápidas do último século.

Opõe-se ao aborto e à eutanásia, mantém a posição da igreja relativamente à homossexualidade e condenou fortemente a legislação para permitir o casamento gay na Argentina, introduzida em 2010, mas sublinha a importância de respeitar as escolhas individuais.

Jorge Mario Bergoglio é um teólogo conservador que se distanciou do movimento da Teologia da Libertação da América Latina. Em 2004, um advogado e activista dos direitos humanos apresentou uma queixa contra o cardeal – sem apresentar provas - acusando-o de ter conspirado com a junta militar em 1976 para permitir o rapto de dois padres jesuítas a quem ele, como superior da Companhia de Jesus da Argentina, tinha ordenado que deixassem de fazer o seu trabalho pastoral, por entrar em conflito com a ditadura militar. Um porta-voz do Bergoglio negou as acusações.

O novo Papa Francisco desempenhou vários cargos administrativos na Cúria, enquanto cardeal, mas não estava entre os favoritos por causa da sua idade (76 anos). Diz-se que no conclave de 2005 foi um rival de Ratzinger na votação.

Além de ser o primeiro Papa sul-americano, Francisco é também o primeiro jesuíta a chegar a Sumo Pontífice.

A primeira oração de Francisco foi em homenagem a Bento XVI. O novo Papa apelou à fraternidade na Igreja. Falou em italiano e despediu-se dizendo que vai rezar à virgem Maria amanhã e desejando boa noite e bom repouso a todos.

O novo Papa fez um discurso bem-humorado, dizendo que os cardeais tanto escolheram que o foram buscar ao outro lado do mundo.

Francisco já fala aos peregrinos: "Rezem por mim para que seja abençoado"

Bergoglio nasceu em Buenos Aires, a 17 de Dezembro de 1936, filho de um ferroviário. Tornou-se padre em 1969 e era arcebispo de Buenos Aires.

O novo Papa tem 76 anos e será o primeiro sul-americano a sentar-se na cadeira de Pedro.

Jorge Maria Bergoglio, ordenado cardeal em 2001 por João Paulo II, é jesuíta.

O novo Papa é o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que adoptará o nome de Francisco I.

Às 19h05, as luzes acendem-se por detrás da janela do balcão central da basílica de São Pedro. Na praça voltou a gritar-se com mais entusiasmo “Viva o Papa!”

Os 115 cardeais eleitores demoraram pouco mais de 25 horas para eleger o sucessor de Bento XVI. A rapidez da eleição manteve a tendência das últimas décadas, que não superaram as 11 votações, recorda a Lusa. O Papa Pio XII foi eleito com três votações em apenas 24 horas; João Paulo I com quatro votações; Bento XVI com quatro votações; Paulo VI com cinco votações; João Paulo II com oito votações e João XXIII, com 11 votações.

O protodiácono, o cardeal francês Jean-Louis Tauran, irá surgir dentro de momentos no balcão central da Basílica de São Pedro. Ao mundo irá anunciar o nome do eleito traduzido em latim, o seu apelido e depois do nome pelo qual o Sumo Pontifíce escolheu ser designado.

 

Milhares de fiéis aguardam que o novo Papa surja no balcão da basílica de São Pedro.

Esta eleição, recorda a AFP, põe fim a quatro semanas inéditas e atribuladas no Vaticano, depois do surpreendente anúncio de renúncia de Bento XVI, a 11 de Fevereiro. O agora Papa emérito, a residir temporariamente em Castel Gandolfo, justificou a decisão dizendo não ter mais a força necessária para liderar a Igreja Católica. 

 

“Viva o Papa, viva o Papa!” grita-se na Praça de São Pedro depois da banda pontifícia e de os guardas suíços terem entrado em parada pelo recinto. A expectativa cresce enquanto se aguarda o nome do novo Sumo Pontífice.

Os sinos da basílica do Santuário de Fátima tocaram durante vários minutos após a saída de fumo branco da chaminé da Capela Sistina.

Na Praça de São Pedro, entrou a banda da Guarda Suíça, pronta a receber o novo Papa.

Tweet do Conselho Pontifício para a Comunicação Social, às 18h09.

Este foi um conclave rápido. Ao fim de cinco votações, o novo Papa foi eleito. Em 2005, o conclave que elegeu Bento XVI terminou após quatro votações.

Após o escrutínio, é perguntado ao cardeal vencedor se aceita a eleição e, em caso afirmativo, que nome deseja adoptar. Segue depois para uma sala contígua, conhecida por Sala das Lágrimas, onde após breves momentos a sós, envergará as novas vestes brancas de Sumo Pontífice.

O anúncio oficial do novo Papa será feito pelo cardeal jean-Louis Tauran. “Habemus Papam!” (“Temos Papa”, em latim) será a frase que irá pronunciar. O novo Papa oferece depois a sua primeira bênção apostólica.

Olhos postos no balcão central da Basílica de São Pedro. Dentro de minutos será anunciado o nome do novo Papa e este será apresentado aos fiéis. Já eleito, o Santo Padre irá comunicar o nome pela qual será designado durante o seu pontificado.

Ao segundo dia de conclave, os 115 cardeais eleitores escolheram o sucessor de Bento XVI. Os sinos ouviram-se na Praça de São Pedro, no Vaticano. Milhares de pessoas, debaixo de chuva, aplaudiram o anúncio de que já se chegou a uma decisão.

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