Filas longas e acusações de fraude no referendo à Constituição no Egipto

Oposição acusa Irmandade Muçulmana de promover "fraude eleitoral" num dia de grande afluência às urnas e sem violência.

Filas para votar no Centro do Cairo Marco Longari/AFP

A Constituição que dividiu o Egipto começou mesmo a ser referendada, mas a falta de juízes levou a que muitos centros de voto abrissem tarde e as urnas ficaram abertas mais duas horas do que o previsto, até às 23h (21h em Lisboa).

Já se esperava que não houvesse juízes suficientes para supervisionar o processo — algumas das associações profissionais de juízes anunciaram o bloqueio à consulta num braço-de-ferro com o Presidente, Mohamed Morsi. É por isso que pela primeira vez um referendo no Egipto se realiza em dois dias: primeiro votam as maiores cidades, o Cairo e Alexandria, e oito províncias, num total de 26 milhões de eleitores; no próximo sábado outros 25 milhões de eleitores são chamados a votar nas restantes 17 regiões.

A Frente de Salvação Nacional, recém-criada coligação que junta quase todos os grupos liberais e laicos na oposição, expressou durante o dia “profunda preocupação pelo número de irregularidades e violações no referendo”, apontando para “um desejo claro de fraude eleitoral por parte da Irmandade Muçulmana”, o movimento islamista a que pertence o Presidente Morsi.

Este grupo opôs-se à realização da consulta, defendendo que não houve tempo para esclarecer os eleitores e fazer uma verdadeira campanha, e apelou aos seus apoiantes para chumbarem um texto que consideram ser demasiado islamista e pôr em risco as liberdades individuais.

Apesar do boicote dos juízes, o Ministério da Justiça assegurou que nenhum centro de voto tinha aberto portas sem juízes presentes. Ao mesmo tempo, o Ministério do Interior garantia não ter registo de “nenhum incidente capaz de constituir um entrave ao processo”.

Como aconteceu nas eleições legislativas de Dezembro e nas presidenciais de Junho, houve campanha junto aos centros de voto promovida pela Irmandade e denúncias de tentativas de suborno. Gamal Eid, chefe da Arab Network for Human Rights Information, que monitoriza o referendo, disse à Reuters que a organização não tinha dado conta de irregularidades suficientemente graves para invalidar o referendo.

Noutra decisão polémica, Morsi devolveu aos militares poderes para prender civis na última semana (esses poderes expiram quando o referendo estiver terminado) e 120 mil soldados foram mobilizados para garantir a segurança da consulta, juntando-se a 130 mil polícias.

Nas últimas semanas, voltou a haver protestos violentos e confrontos entre apoiantes de Morsi e opositores nas ruas do Cairo (e de Alexandria, já na sexta-feira), mas até ao início da noite deste primeiro dia de votação no referendo não houve quaisquer incidentes violentos.

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