Fidel Castro diz que discurso de Obama na ONU é “conversa fiada”

Especulava-se sobre a saúde de Fidel Castro devido à sua inactividade nos últimos tempos Alex Castro /Reuters

Segundo o antigo líder cubano, o recente discurso do Presidente norte-americano, Barack Obama, nas Nações Unidas é “conversa fiada” e uma tentativa para justificar o “injustificável”.

Este foi o primeiro artigo publicado na imprensa por Fidel Castro desde Julho, onde crítica também os ataques aéreos na Líbia levados a cabo pelos Estados Unidos e pela NATO, considerando-os um “crime monstruoso”. Castro apela aos países para que se oponham na assembleia-geral contra “o genocídio da NATO na Líbia”, uma actuação descrita pelo líder cubano como “uma violação flagrante dos princípios”.

Fidel citou várias vezes as palavras de Obama, proferidas na semana passada durante a assembleia-geral das Nações Unidas, e afirmou que o chefe de Estado norte-americano tentou “explicar o inexplicável e justificar o injustificável”. “Quem é que compreende esta conversa fiada do Presidente dos Estados Unidos na Assembleia Geral?”, pergunta Fidel Castro no artigo de opinião, intitulado “Chávez, Evo e Obama”, divulgado na segunda-feira.

Fidel Castro acusa Barack Obama de distorcer a situação em vários países, incluindo a Síria, o Irão, o Afeganistão, o Iraque, o Egipto, a Palestina e a Líbia. “Existe alguma nação excluída das ameaças sanguinárias lançadas por este ilustre defensor da paz e da segurança internacional?”, pergunta, referindo-se a Obama, a quem chama de Presidente ianque. “Quem deu aos Estados Unidos tais privilégios?”

Castro comenta também “os métodos fascistas dos Estados Unidos e dos seus aliados, usados para confundir e manipular a opinião global”, e diz estar feliz pela “resistência” dos seus principais aliados, Hugo Chavez e Evo Morales, Presidentes da Venezuela e da Bolívia, que criticam a política discursiva dos EUA e da ONU.

Washington e Cuba, adversários da Guerra Fria, mantêm uma relação de desconfiança e distância desde então, o que leva Fidel Castro a fazer ocasionais ataques políticos ao seu rival ideológico.

O antigo líder cubano de 85 anos, que entregou o poder ao irmão, Raul Castro, em 2006 por questões de saúde, tem mantido um perfil discreto nos últimos meses, originando especulações sobre o seu estado de saúde e até sobre a sua morte.

Fidel Castro explicou ainda que há outros trabalhos que agora lhe ocupam o tempo e que por isso não tem publicado artigos ultimamente em nenhuma das suas colunas, mas que decidiu fazer uma pausa nessas tarefas para dedicar algumas palavras "à singular ocasião oferecida à ciência política" pela assembleia-geral da ONU.

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