Extremistas islâmicos matam por apedrejamento um casal acusado de adultério no Mali

Islamistas do Ansar Dine controlam várias regiões do Norte do Mali AFP

Ela morreu pouco após o início do apedrejamento, a ele ainda ouviram gritar. Um casal acusado de adultério foi morto por apedrejamento na cidade de Aguelhik, no Norte do Mali, controlada por extremistas islâmicos do grupo Ansar Dine, com ligações à Al-Qaeda.

O casal tinha duas crianças, uma dela com seis meses, mas nunca se tinha casado e por isso foi acusado de adultério. Enterrados até ao pescoço, os dois foram apedrejados até à morte na cidade de Aguelhok, em nome da lei islâmica, a sharia, e perante mais de 200 pessoas.

Desde o golpe militar de 22 de Março, que afastou do poder o Presidente Amadou Touré, que o Norte do Mali foi tomado por rebeldes tuaregues e por extremistas islâmicos do Ansar Dine que pretendem aplicar a lei islâmica na região. A lapidação que ocorreu nesta segunda-feira foi confirmada por representantes das autoridades locais citados pela AFP, mas que não foram identificados. “Eu estive lá. Os islamistas levaram o casal que não era casado para o centro de Aguelhok. Foram metidos em dois buracos e apedrejados até à morte”, contou à agência francesa uma testemunha. “A mulher sucumbiu aos primeiros apedrejamentos, o homem gritou alto uma vez e depois foi o silêncio.”

Aguelhok fica na região de Kidal, uma das primeiras cidades que após o golpe militar foi tomada pelos rebeldes separatistas tuaregues e, logo, pelos extremistas islâmicos que apoiaram a rebelião, que controla várias cidades no Norte do Mali, incluindo Tombuctu, onde os extremistas já destruíram vários mausoléus considerados património mundial pela UNESCO.

Desta vez, chegam do Mali as primeiras informações sobre a aplicação da sharia, depois de o Presidente interino, Dioncounda Traore, ter apelado durante o fim-de-semana ao diálogo com os islamistas ainda que tenha defendido a unidade contra os “invasores”.

Os confrontos no Norte do Mali já levaram cerca de 300 mil pessoas a fugir da região. Tombuctu, Kidal e Gao estão ocupadas por grupos islamistas armados que têm procurado impor a lei islâmica que implica a proibição do consumo de álcool e a punição de quem mantenha relações sexuais fora do casamento. O caso hoje divulgado terá sido a primeira morte por apedrejamento cometida por estes grupos.

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