Ex-primeiro-ministro búlgaro pede anulação do resultado das eleições

O partido de Boiko Borisov teve mais votos mas não consegue formar governo. À oposição falta-lhe um deputado para ter maioria. Há grandes indícios de fraude.

Boiko Borisov não tem maioria para formar governo Stoyan Nenov/REUTERS

O ex-primeiro-ministro búlgaro Boiko Borisov, cujo partido ganhou as eleições de domingo mas não conseguiu uma maioria suficiente para formar governo, pediu esta quinta-feira a anulação das legislativas, que o procurador-geral confirmou terem sido marcadas pela fraude. Pede que sejam convocadas novas eleições.

“Houve uma violação brutal da lei no dia de reflexão na véspera das eleições”, disse o líder do GERB, o partido de centro-direita que foi forçado a demitir-se em Fevereiro por protestos populares contra o aumento dos preços da electricidade e a política de austeridade com que governou desde 2009. “Hoje ou amanhã o GERB vai pedir ao Tribunal Constitucional que cancele as eleições.”

O argumento de Borisov é que a votação no seu partido foi afectada em 5% a 6% porque as autoridades búlgaras anunciaram, no sábado, terem sido encontrados dez caixas com 35 mil boletins de voto ilegais numa gráfica de Kostinbrod que era propriedade de um vereador da câmara local do GERB e outras 12 caixas de boletins, indicando que se destinavam a outra cidade. No sábado é proibido fazer campanha eleitoral e Borisov considera que o facto de um procurador-geral ter anunciado a descoberta foi um acto de campanha.

“Não deveriam encontrar-se ali boletins de reserva. Esses guardam-se normalmente nas comissões eleitorais regionais”, disse o procurador-geral Sotir Tsatsarov sobre a descoberta, que provocou um escândalo no país – habituado a ouvir falar na compra de votos.

Os observadores internacionais das eleições criticaram severamente o desenrolar das eleições no país mais pobre da União Europeia. Mencionam não só o caso dos boletins suspeitos, sublinha a AFP, como também os numerosos casos de compra de votos ou o clima negativo da campanha eleitoral – que desde meados de Abril foi marcado pela revelação de um escândalo de escutas telefónicas ilegais que seriam feitas por elementos próximos do ex-primeiro-ministro Boiko Borisov a outros ministros e figuras do Estado.

Apesar de ter obtido 97 dos 240 assentos parlamentares – com 30,5% dos votos expressos – e de ter sido o partido mais votado, nenhuma das outras formações partidárias aceita fazer coligação com o GERB para formar governo. Borisov diz-se disposto a tentar formar um governo minoritário – embora este não tenha hipóteses de passar no Parlamento.

Os socialistas foram o segundo partido mais votado, com 26,61%, e têm 84 deputados. Aliaram-se ao partido que representa a minoria étnica turca, que tem 36 deputados. Mas falta-lhes um deputado para terem a maioria e formarem um governo liderado pelo economista independente Plamen Orecharski, que não está ligado a qualquer dos dois partidos. Estão a tentar obter o apoio de deputados do GERB, a título individual.
 
 
 
 

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