Homem forte do Governo Lula condenado por corrupção

Da esquerda para a direita, Soares, Dirceu e Genoino Foto: Evaristo Sá/AFP

Três homens próximos do ex-Presidente Lula da Silva foram condenados, na terça-feira, por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil no caso "Mensalão". José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares foram julgados, com mais sete acusados, por causa do desvio de fundos públicos para comprar apoio político no Congresso.

A condenação de Dirceu é considerada um momento marcante para a justiça brasileira. O ex-colaborador de Lula chegou a ser visto como eventual sucessor do carismático líder brasileiro, mas na sequência do escândalo teve de abandonar o cargo e de se afastar da política.

"Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar para provar a minha inocência", reagiu Dirceu, pouco depois de a sentença ter sido divulgada pelo Supremo. "Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater", acrescenta o ex-homem-forte do Governo de Lula da Silva, contestando assim as conclusões da Justiça.

José Dirceu era chefe da Casa Civil da Presidência e foi considerado culpado de corrupção activa. Para haver condenação ou absolvição, são necessários pelo menos seis votos dos dez membros do STF do Brasil. Até agora, votaram oito juízes: seis a favor da condenação e dois pela absolvição de Dirceu.

Dirceu diz que a Justiça decidiu sob "forte pressão da imprensa" e "ao contrário do que dizem os autos". Considera-se vítima de uma "acção orquestrada". "Fui prejudicado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência", declarou, num comunicado de reacção à sentença.

O esquema, de que Dirceu seria o "mandante", consistia no pagamento mensal de quantias em dinheiro a deputados para garantir o voto deles no Congresso. Este esquema terá durado entre Janeiro de 2003 e Junho de 2005, no primeiro mandato de Lula.

Co-fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), Dirceu arrisca agora uma pena de prisão de dois a 12 anos, tal como o ex-presidente e o tesoureiro do PT, José Genoino e Delúbio Soares, respectivamente.

Além de políticos e deputados, este caso – baptizado no Brasil como o processo do século – envolveu também empresários – Marcos Valério, estratega da comunicação seria uma das figuras-chave do caso – e outras figuras próximas do poder.

Lula da Silva, por seu lado, nunca foi envolvido em investigações judicias referentes ao "Mensalão", processo que, aliás, foi classificado como uma "farsa" por Lula, como recorda nesta quarta-feira o jornal Folha de São Paulo.

Os deputados que receberam dinheiro e que foram ouvidos durante a investigação do caso – que foi também objecto de uma comissão parlamentar de inquérito – sempre negaram que estariam a vender o seu voto em apoio à agenda do Governo Lula. Segundo os parlamentares, o dinheiro destinar-se-ia a pagar dívidas de campanha.

O caso "Mensalão" veio a público em 2005 ainda Lula presidia ao país, tendo sido releito em 2006, apesar do escândalo. Sete anos depois, com Dilma Rousseff no lugar de Lula, chegou o julgamento.

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