Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático (PD) e candidato a primeiro-ministro, desafiou Mario Monti a explicar onde se situa politicamente e com que agenda social se candidata às legislativas italianas de 24 e 25 de Fevereiro. Um repto que chega dois dias depois de o ainda líder do executivo ter confirmado que vai encabeçar uma aliança de forças centristas para “mudar Itália e reformar a Europa”.
“Esta aliança centrista precisa de explicar exactamente onde se situa”, disse o líder do centro-esquerda que, segundo uma sondagem publicada neste domingo pelo jornal económico Il Sole 24 Ore, é o favorito dos italianos para assumir a chefia do Governo. Bersani recolhe 36,2% cento das simpatias, quase o dobro dos que preferem o actual primeiro-ministro (23,3%) ou dos que admitem voltar a votar em Silvio Berlusconi que, no início do mês provocou uma tempestade política ao anunciar o seu regresso à política, pouco mais de um ano depois de se ter demitido para dar lugar a um governo de tecnocratas, sob a batuta de Monti.
A reentrada em cena de Berlusconi, e a retirada do apoio do Povo da Liberdade (PdL) em duas votações decisivas no Parlamento, levou Monti a anunciar a sua demissão (concretizada antes do Natal, aprovado que foi o Orçamento). Mas na sexta-feira, já depois de ter dito que estaria disposto a liderar uma coligação que se comprometesse com uma ambiciosa agenda de reformas, confirmou que se iria candidatar à liderança do executivo, apoiado pelos partidos centristas. “Concordei em assumir o papel de líder desta coligação e comprometo-me com o sucesso desta operação”, acrescentou.
O antigo comissário europeu e ex-conselheiro do banco Goldman Sachs esclareceu que não se trata de um novo partido, mas antes de uma “aliança” de diferentes forças que pretendem trabalhar juntas para pôr em prática a sua agenda política pró-europeia. “A tradicional divisão entre direita e esquerda tem um valor histórico e simbólico, mas já não responde à verdadeira aliança que a Itália precisa”, explicou.
Declarações que Bersani diz necessitarem de ser esclarecidas. “Monti não acredita que o nosso sistema bipolar funciona? Quer desmantelá-lo? Se não, de que lado está ele”, questionou o dirigente do centro-esquerda, exigindo saber quais as políticas sociais que o ex-primeiro-ministro tem para o país.
Ao contrário de Berlusconi, que desde sexta-feira usa as televisões que detém para ataques cerrados ao ainda primeiro-ministro, o PD tem sido moderado nas críticas a Monti, anunciando que respeitará a sua política de contenção orçamental. Admite mesmo discutir uma possível aliança nas eleições para o Senado, onde terá maiores dificuldades em garantir uma maioria sólida, se o primeiro-ministro clarificar a sua posição política – sugestão que levou Berlusconi a acusar Monti de estar a negociar em segredo com o centro-esquerda para se manter no poder.
Apesar da clara desvantagem, um artigo publicado no jornal La Stampa por um grupo de cientistas políticos sustenta que a aliança liderada por Monti poderá reunir até 20 por cento dos votos nas eleições de Fevereiro, conquistando votos tanto à esquerda como à direita, o que poderá tornar mais difícil uma maioria clara do PD.

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