O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan abandonou a ideia de construir um centro comercial num dos poucos espaços verdes do centro da cidade de Istambul, mas persiste na necessidade de arrasar o Parque Gezi, para construir um museu. Esta decisão, anunciada na sexta-feira, pode prolongar os protestos que, no mesmo dia, receberam o apoio de Abdullah Öcalan, o chefe dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que se encontra preso.
Em vez do centro comercial ao ar livre, que seria uma réplica de uma caserna militar otomana, o primeiro-ministro propõe agora construir o Museu da Cidade e uma área verde. A falta de uma razão concreta para a destruição do parque motivou os protestos que começaram no final de Maio naquela cidade mas que já se espalharam a todo o país. Da defesa do parque, os manifestantes, na sua maioria jovens, exigem agora a demissão de Erdogan.
Pelo menos dois manifestantes e um polícia morreram desde que as autoridades tentaram acabar com os protestos recorrendo a gás lacrimogénio e a canhões de água. A forte intervenção policial tem merecido condenações por parte da comunidade internacional.
Erdogan, que regressou de uma viagem de três dias ao Norte de África, ordenou aos manifestantes que parassem os protestos. Antes de abandonar a Tunísia, o governante declarou que o Parque Gezi seria destruído e apelidou o novo projecto como uma "mistura de história, cultura e natureza" e lembrou que ele era um ambientalista. "Ninguém no país ama mais o verde... Não há ninguém mais ambientalista do que eu".
Ao final da tarde de sexta-feira, numa conferência internacional em Istambul, o primeiro-ministro disse que não tem problemas em discutir exigências democráticas e acusou os meios de comunicação social de "conduzirem uma campanha horrível de mentiras". Disse ainda que o seu Governo tem falado com "todos os segmentos da sociedade" desde que chegou ao poder e lembrou as intenções de aderir à União Europeia.
Apoio do PKK
Entretanto, os manifestantes receberam o apoio do chefe dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que se encontra preso, Abdullah Öcalan. "Saúdo o movimento de resistência e cheio de significado" disse, citado pelo vice-presidente do Partido para a Paz e a Democracia (BDP, pró-curdo), depois de uma visita à prisão de Imrali, onde Ã-calan cumpre prisão perpétua.
No entanto, apelou aos manifestantes para se protegerem contra qualquer possibilidade de crescimento dos movimentos nacionalistas turcos, diz o canal da CNN na Turquia no seu site. Pelo contrário, os manifestantes devem defender as forças "democráticas, revolucionárias, patrióticas e progressistas", defende.
Título alterado: clarificado que o Governo mantém a ideia de destruir o Parque Gezi.

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