Eleições na Tunísia adiadas para 16 de Outubro

Na Tunísia, os que lutaram pela queda do regime esperam agora pelas eleições Thierry Roge/Reuters

A comissão eleitoral independente da Tunísia, encarregue de realizar as eleições para a assembleia constituinte – as primeiras após o derrube do regime do Presidente Ben Ali – marcou o escrutínio para 16 de Outubro, contrariando o anúncio do Governo, que tinha avançado com a data de 24 de Julho.

“A alta instância encarregue das eleições preparou um calendário que fixa para 16 de Outubro a eleição da assembleia constituinte”, anunciou o presidente da comissão eleitoral, Kamel Jendoubi, em conferência de imprensa. O dia 24 de Julho “não está no calendário”, garantiu no início de uma reunião com representantes dos vários partidos políticos tunisinos. Será a primeira vez que os tunisinos irão eleger livremente os seus governantes, depois de mais de 20 anos com Ben Ali no poder.

O dia 24 de Julho tinha sido anunciado na terça-feira pelo governo, depois de o presidente interino Foued Mebazza ter promulgado um decreto a agendar as eleições para essa data. Um dos membros da comissão eleitoral, Arbi Chouikha, explicou à AFP que o escrutínio acabou por ser transferido para Outubro “por razões técnicas e logísticas”.

“Há vários problemas, como o facto de cerca de 400 mil tunisinos não terem cartões de eleitor e de termos de recrutar cerca de 24 mil pessoas para organizar as eleições, que têm de ser treinadas”, explicou Jadoubi. “Tudo isso demora tempo”.

O porta-voz do governo interino, Taieb Baccouche, adiantou que será marcada uma reunião do Conselho de Ministros para debater a questão e que poderá vir a ser promulgado um novo decreto para alterar a data que já tinha sido anunciada.

A marcação das eleições tem sido uma questão polémica na Tunísia, onde vários partidos defendem que o escrutínio se deve realizar o mais cedo possível por recearem que o governo interino não cumpra as suas promessas de promover a transição para a democracia. O partido islamista Ennahda e o Partido Democrático Progressista defendem a realização das eleições a 24 de Julho, enquanto o Partido Comunista e dos Trabalhadores prefere ter mais tempo para a campanha e tem alertado para os riscos de uma eleições mal preparadas.

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