Egipcíos fazem filas para votar no referendo à Constituição

A oposição pediu à população para ir votar e escolher o "Não". Confrontos nas ruas na véspera do referendo.

Os egípcios começaram a votar no referendo destinado a aprovar ou rejeitar a nova Constituição do país, de inspiração islamista. A Reuters e a AFP dão conta de longas filas junto às assembleias de voto. O Governo e a Irmandade Muçulmana apelaram aos cidadãos para acorrerem em massa e votarem "Sim"; a oposição secular e liberal fez apelo idêntico a favor do "Não".

Em algumas cidades, como o Cairo e Alexandria, escrevem os jornalistas da agência Reuters, há polícias e militares a patrulhar as ruas e junto às assembleias de voto, tentando evitar confrontos entre partidários do Presidente Mohamed Morsi (islamista, democraticamente eleito) e opositores.

Não há quem arrisque prognósticos sobre o resultado do referendo, como não há, entre os jornalistas ocidentais no Egipto, certezas sobre como decorrerá o dia – com ou sem violência. Este sábado vota-se o referendo apenas em dez províncias, as restantes 17 votarão no próximo sábado. Os resultados preliminares poderão, no entando, dar uma indicação sobre a tendência de voto. 

"Os xeques [líderes religiosos] disseram-nos para votarmos no 'Sim' e eu li a Constituição e gostei dela", disse Adel Imam, de 53 anos, à espera de votar numa assembleia de voto nos arredores do Cairo. "A autoridade do Presidente é menor do que antes pelo que ele não pode ser um ditador", acrescentou.

Outro eleitor, em Alexandria, votou "Não" pois a "Constituição não representa o Egipto".

Um terceiro votou a favor porque quer "estabilidade". "Não posso dizer que todos os artigos são perfeitos, pelo que o meu voto é para que sigamos em frente", disse o lojista Ahmed Abou Rabu, de 39 anos.

Confrontos na sexta-feira
As últimas horas antes do referendo sobre o projecto de Constituição no Egipto foram  vividas num ambiente de grande tensão, como era esperado. Na segunda maior cidade do país, Alexandria, houve confrontos entre apoiantes e opositores do Presidente Morsi.

O jornal em língua inglesa Daily News Egypt relatou que a liderança da Irmandade Muçulmana que apoia o "Sim" no referendo   se manteve oficialmente à margem das manifestações no centro de Alexandria, mas o mesmo jornal e a agência Reuters falavam em confrontos com defensores do "Não", na sua maioria da oposição secular e liberal.

Os confrontos terão começado logo após a oração de sexta-feira, proferida pelo conhecido xeque ultraconservador Ahmed El-Mehalawy, e a sua origem tem explicações distintas, consoante as facções ouvidas.

O porta-voz do Partido da Justiça e da Liberdade (da Irmandade Muçulmana) em Alexandria, Mohamed Soudan, disse que "alguns elementos da oposição e alguns socialistas tentaram atacar o xeque Mehalawy no final da sua oração". O mesmo porta-voz disse que elementos dos extremistas do Gama’a al-Islamiyya levaram o xeque Ahmed El-Mehalawy para a mesquita, de onde não poderá sair por temer pela sua segurança.

Os opositores da Constituição têm outra versão. Ouvido pelo Egypt Daily News, um dos manifestantes, Zeyad Salem, disse que o xeque Ahmed El-Mehalawy "encurralou três pessoas na mesquita".

A Irmandade Muçulmana aproveitou o último dia antes do referendo para fazer campanha, em dez províncias do país, entre as quais o Cairo e Alexandria.

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