Dois deputados da maioria do Governo grego saem por apoio a investigação

Defesa de proposta para que o actual líder de outro partido da coligação, o PASOK, seja investigado vale a expulsão aos políticos do partido Esquerda Democrática.

Vários partidos pedem que Evangelos Venizelos seja investigado por causa da actuação das autoridades em relação à chamada "lista Lagarde" Louisa Gouliamaki/AFP

Dois deputados do partido Esquerda Democrática (Dimar) foram expulsos por terem apoiado o pedido a uma investigação a Evangelos Venizelos, o líder do Partido Socialista (PASOK), o outro partido da coligação no Governo liderado pelos conservadores do Nova Democracia.

Com estas saídas, a pequena maioria do Governo liderado por Antonis Samaras fica um pouco mais frágil: 164 deputados num Parlamento de 300.

Os dois deputados, Odysseas Voudouris e Paris Moutsinas, apoiaram uma sugestão do principal partido da oposição, Syriza (Coligação de Esquerda Radical), para que Venizelos seja investigado pelo seu papel no modo como as autoridades  lidaram com a chamada “lista Lagarde”, uma enumeração de gregos com contas na Suíça, suspeitos assim de possíveis fugas ao fisco. A lista foi entregue em 2010 pela então ministra das Finanças de França, Christine Lagarde, ao seu homólogo grego, na altura Georges Papaconstantinou, a quem Venizelos sucedeu em 2011.

A lista desapareceu, mas as autoridades gregas trabalhavam entretanto com base numa lista informal dada por Venizelos. A lista original foi entretanto enviada de novo pelas autoridades francesas para Atenas, e investigadores notaram a ausência de três entre os mais de dois mil nomes. Eram todos familiares do antigo ministro Georges Papaconstantinou. Este nega ter retirado os nomes da lista e culpa Venizelos pela inacção. Ainda assim, o seu partido, o PASOK, foi rápido a ordenar a expulsão de Papaconstantinou.

Esta quarta-feira, um grupo de 37 deputados do partido populista de direita Gregos Independentes e do partido neonazi Aurora Dourada assinaram uma outra proposta pedindo a investigação não só de Papaconstantinou e Venizelos mas também do primeiro-ministro na altura em que a lista foi entregue, George Papandreou, e do seu sucessor, o tecnocrata Lucas Papademos. Os três principais partidos da coligação – Nova Democracia, PASOK e Dimar – defendem que apenas Papaconstantinou deve ser investigado.
 

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