Corpo de Chávez não será embalsamado

Ministro venezuelano confirma impossibilidade da ideia inicial.

O corpo de Hugo Chávez foi transportado na sexta-feira para o Quartel da Montanha Reuters

Ao contrário do que chegou a ser inicialmente avançado, o corpo de Hugo Chávez não será embalsamado. Na quarta-feira, o Presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, já tinha dito que a intenção talvez não se concretizasse, justificando que “a decisão deveria ter sido tomada muito mais cedo”.

A confirmação de que o corpo de Hugo Chávez não seria embalsamado foi dada na rede social Twitter pelo ministro da Informação e Comunicação do país, Ernesto Villegas. “Ficou descartada a opção de embalsamar o corpo do comandante Chávez após o relatório de uma comissão médica russa. A comissão médica russa estabeleceu que para praticar o procedimento o corpo deveria ser transladado para a Rússia durante sete a oito meses. Depois deste relatório, ficou descartado o embalsamamento, que era uma aspiração sentida por numerosos compatriotas”, explicam as várias mensagens escritas por Villegas, já que o Twitter só permite que cada uma tenha 140 caracteres.

Nesta semana, Maduro tinha preparado a população para a eventual impossibilidade de embalsamar o ex-Presidente venezuelano, dizendo que as primeiras informações de especialistas russos e alemães indicavam que os preparativos para embalsamar o corpo deveriam ter começado mais cedo. Isto depois de, na semana passada, o Presidente interino da Venezuela ter anunciado com entusiasmo que o corpo do “comandante” seria embalsamado. “Foi decidido preparar o corpo do comandante, embalsamá-lo, para que possa ser visto eternamente, para que o povo o possa ter consigo no Museu da Revolução”, disse na altura Nicolás Maduro, que sublinhou que tal decisão também foi tomada com Ho Chi Min, Lenine e Mao.

Nesta sexta-feira , à semelhança do que tem acontecido ao longo dos dez dias de homenagens e cerimónias fúnebres de Chávez, as ruas de Caracas voltaram a encher-se de pessoas para assistir ao percurso de cerca de 20 quilómetros de trasladação da urna de “el comandante” da Academia Militar, onde esteve uma semana, para o emblemático “Quartel da Montanha”, centro de comando do golpe de Estado militar liderado pelo então tenente-coronel Hugo Chávez, a 4 de Fevereiro de 1992.

Foi de lá que o aspirante a líder revolucionário proclamou o seu famoso discurso de rendição, que deixou uma frase para a história da Venezuela: “Companheiros, lamentavelmente, por agora, os objectivos que definimos não foram alcançados na cidade capital.” O corpo ficará, por agora, no edifício transformado em Museu da Revolução, no Bairro 23 de Janeiro, um bastião chavista.

Os apoiantes do ex-Presidente venezuelano, que morreu no dia 5 de Março, aos 58 anos, devido a um cancro detectado em Junho de 2011 e depois de quatro cirurgias em Cuba, a última das quais em Dezembro, têm pedido que o corpo de Chávez seja enterrado no Panteão nacional, juntamente com o de Simón Bolívar, herói da independência. Mas a Constituição da Venezuela só permite que uma pessoa seja transferida para lá 25 anos após a sua morte. Ainda assim, a Assembleia Constitucional deverá aprovar uma emenda para que o corpo de Chávez seja colocado ao lado do de Bolívar.

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