A Coreia do Norte e a Coreia do Sul podem vir a ter uma "reunião de trabalho" neste fim-de-semana, em local a definir. Os dois países chegaram a acordo sobre a vantagem desse encontro, que antecederia uma reunião ministerial.
Depois de, na quinta-feira, ter aceite uma proposta da Coreia do Norte para negociações formais, a Coreia do Sul propôs um encontro interministerial em Seul, na próxima semana. Mas o Norte contrapôs com a sugestão de um encontro prévio e preparatório, no domingo.
“Pensamos que são necessários contactos entre as autoridades do Norte e do Sul antes de um encontro ministerial proposto pelo Sul”, disse um porta-voz do Comité para a Reconciliação Pacífica da Coreia.
O governo do Norte sugeriu que se realize uma primeira reunião de delegações de nível inferior, no domingo, em Kaesong, o complexo industrial intercoreano situado em território do Norte, a dez quilómetros da fronteira, encerrado em Abril, no pico da crise.
O ministério sul-coreano da Unificação, responsável pelas relações entre os dois países, começou por dizer que ia “estudar” a proposta do Norte. Mais tarde, anunciou aceitar a ideia de um encontro durante o fim-de-semana, mas contrapropôs Panmunjom a Kaesong.
Panmunjom, “a cidade da paz”, é a localidade fronteiriça por onde passa a linha telefónica que liga os dois países, cuja reabertura foi anunciada esta sexta-feira. A linha telefónica de emergência tinha sido cortado em Março pela Coreia do Norte.
Um comunicado do comité norte-coreano para a Reconciliação, citado pela agência oficial norte-coreana KCNA, avançou que a linha que permite a comunicação entre os dois governos em caso de urgência seria restabelecida às 14h00 locais (6h00 em Lisboa).
As últimas reuniões de trabalho entre coreanos ocorreram em 2011. A última reunião interministerial data de 2007.
O futuro de Kaesong onde, até ter sido encerrado, trabalhavam mais de 50 mil norte-coreanos e centenas de quadros sul-coreanos, é um dos assuntos da agenda das negociações entre os dois países. O complexo é uma importante fonte de divisas para o regime norte-coreano.
O Governo de Pyongyang declarou-se também disposto a negociar a retoma das visitas turísticas ao monte Kumgang e a discutir questões humanitárias como a reunião de famílias separadas pela guerra.
As declarações de vontade de diálogo segue-se a um período de tensão entre o regime norte-coreano, Estados Unidos e Coreia do Norte, após um teste nuclear, em Fevereiro deste ano, seguido de ameaças de ataque a Washington e Seul.

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