Esquerda tem 40% de mulheres nas suas listas, Monti tem uma campeã de esgrima

"Uma revolução cívica" nas listas do Partido Democrata e o trunfo olímpico do candidato que "fala de coisas concretas"

Valentina Vezzali nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008 ADRIAN DENNIS/AFP

O Partido Democrata, principal partido de esquerda em Itália, apresentou na noite de terça-feira as suas listas para as eleições legislativas de 24 e 25 de Fevereiro, onde figuram 40% de mulheres, uma novidade absoluta em Itália. Ao centro, Mario Monti arranjou como aliada uma "diva" da esgrima mundial.

"As nossas listas contam com 40% de mulheres. É uma revolução cívica a valorizar", disse o líder do PD, Pier Luigi Bersani, acrescentando que, em 35 círculos eleitorais, 18 mulheres são cabeças de lista.

Estas listas renovadas contam também com muitos jovens e são o resultado de uma arbitragem entre os resultados das primárias realizadas no final de Dezembro, e em que participou um milhão de italianos, e as personalidades cuja candidatura foi imposta pelo partido.

Ao lado de "históricos", como Bersani e o seu "número dois", Enrico Letta, ou os actuais líderes do PD na câmara e no senado, aparecem vários representantes da sociedade civil. Entre eles, o ex-procurador antimafia Piero Grasso, um antigo dirigente do patronato italiano, sindicalistas, uma das fundadoras do movimento feminista Se Non Ora Quando (Se não for agora quando será), Valeria Fideli, e jornalistas, como o director da RaiNews24, Corradino Mineo. Nas listas do PD também está Ernesto Preziosi, ex-presidente da Acção Católica.

"A partir desta noite, estamos em campanha eleitoral. Mais do que favoritos, sentimo-nos como vencedores", proclamou Bersani, que se disse "pronto para governar o país".

A "diva" Valentina

Mario Monti, primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas que tentam fazer frente ao favoritismo da esquerda e à direita de Berlusconi, chamou para as suas listas uma "diva" da esgrima mundial, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica.

"Decidi fazer parte da equipa, porque Mario Monti é uma pessoa séria, que acredita na família, na ética e na moral. Ele fala de coisas concretas e nós, os atletas, estamos habituados a falar com factos", disse Vezzali, citada pela AFP.

Aos 39 anos, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica de florete (ouro em Sydney, Atenas e Pequim), disse que a sua candidatura em nada vai interferir com o seu objectivo de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. "Mas agora a minha prioridade é estudar, preparar-me e merecer a estima" de Mario Monti, disse Valentina, que é polícia de profissão.


Segundo uma sondagem de 2 de Janeiro, realizada pelo instituto Tecnè para a Sky Italia, a coligação de centro-esquerda liderada pelo PD comanda as intenções de voto, com 40,3%. Segue-se o bloco de direita do PDL (Povo da Liberdade), da Liga Norte, e outras formações, com 26,30%. E, por fim, a coligação centrista de Monti recebe 12% das intenções de voto.

 
 
 

Comentários

Comentar

Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários.

Caracteres restantes:

Nos Blogues