O Governo dos EUA, que considerou errado a ONU ter dado estatudo de Estado observador à Palestina, diz agora que decisão de Israel construir mais casas nos colonatos é "contra-producente".
A decisão de Israel construir mais três mil casas nos colonatos que tem em territórios ocupados na Cisjordânia (Palestina) é contra-producente pois põe em causa o relançamento das negociações de paz, disse na sexta-feira à noite a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Novos edifícios surgirão também em Jerusalém Oriental.
"Estas actividades são um revés para uma paz negociada", disse a responsável pela diplomacia dos Estados Unidos. Um dia antes, quando as Nações Unidas aprovaram por maioria (o embaixador de Washington votou contra) a entrada da Palestina na organização como Estado observador, sendo a palavra Estado usada pela primeira vez numa instituição internacional, Clinton dissera tratar-se de uma irresponsabilidade. Centro e trinta e oito estados votaram a favor, nove contra e 41 abstiveram-se.
Com Estado observador, a Palestina pode participar em debates nas Nações Unidas e pedir a sua inclusão noutros corpos da ONU, como o Tribunal Penal Internacional. O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, disse que a decisão histórica é a "última oportunidade para salvar a solução dos dois estados".
O status quo era, pois, o desejo do Governo americano, que considerara a trégua entre Israel e o Hamas, a organização islamista que controla a Faixa de Gaza, um ponto de partida para o relançar das negociações de paz israelo-palestinianas, há muito suspensas. No final do mês passado, as duas partes envolveram-se num conflito que durou oito dias e que terminou com a mediação do Egipto - o Governo israelita chegou a anunciar estar a ponderar uma ocupação de Gaza.
Falando a uma plateia em Washington onde estavam os ministros israelitas da Defesa, Ehud Barak (que anunciou que se retira da política e Março, quando se realizarem eleições), e dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, Clinton disse que a região precisa de "uma pausa". "Todas as partes devem pensar seriamente no passo seguinte".
No Reino Unido, o responsável pela política extena, William Hague, disse também estar "profundamente preocupado" pela decisão israelita e aconselhou o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu a "voltar atrás na decisão".
Cerca de 500 mil judeus vivem em cem colonatos construídos desde a ocupação, por Israel, de territórios na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. O Direito Internacional considera-os ilegais, precisamente por estarem em zonas ocupadas.

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