O lançamento de um foguetão por Pyongyang foi condenado pelo Conselho de Segurança da ONU, que o considerou “em clara violação” das resoluções 1718 e 1874.
Os Estados Unidos, pela voz da sua embaixadora nas Nações Unidas, Susan Rice, exigem uma "resposta" internacional, após o lançamento de um foguetão Unha-3, na descrição da agência noticiosa norte-coreana KCNA – mas que os EUA acreditam tratar-se mais possivelmente de um ensaio de um míssil balístico intercontinental. A confusão é possível porque se sabe muito pouco sobre o que a Coreia do Norte está a fazer, uma vez que as tecnologias são semelhantes.
A raiz de tão grande preocupação está no facto de estes mísseis poderem alcançar não só os países mais próximos, como um dia, eventualmente, alcançarem os EUA, cruzando o Pacífico – embora esse cenário esteja ainda num futuro longínquo, asseguram os especialistas. No entanto, estes testes servem ainda outro propósito: testar os veículos que poderão transportar ogivas nucleares.
Observadores do regime de Pyongyang notam que é possível que a Coreia do Norte esteja perto de fazer um novo ensaio nuclear. É possível até que esteja a começar a trabalhar com urânio enriquecido e não apenas com plutónio, notou recentemente o director da Agência Internacional de Energia Atómica. "Há imagens de satélite que sugerem que a Coreia do Norte está a construir um reactor nuclear de água pressurizada e está a trabalhar no enriquecimento de urânio. Isto é perturbador", disse Yukiya Amano, num encontro promovido pelo think tank Council on Foreign Relations este mês.
Os Estados Unidos, que consideraram o lançamento desta quarta-feira "um acto altamente provocador que põe em perigo a segurança regional", avisaram a Coreia do Norte de que as acções teriam consequências. Mas o porta-voz da Casa Branca Jay Carney não especificou quais as consequências que estariam a ser consideradas. A Coreia do Norte já é o Estado com mais sanções, sem que isso tenha dado grande resultado ao nível das negociações sobre o desenvolvimento do nuclear.
Mas dificilmente dali sairá algo mais forte do que esta declaração: a China, membro permanente com direito de veto, apenas lhe deu como que uma palmada na mão: "Lamentamos que tenha feito o lançamento apesar da preocupação da comunidade internacional", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei. Mas acrescentou: a China "acredita que a reacção do Conselho de Segurança deve ser prudente e moderada, para manter a estabilidade e evitar a escalada."

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