Confrontos na Tunísia entre radicais islâmicos e a polícia

Governo proibiu a realização do congresso do movimento Ansar al-Sharia. Apoiantes responderam nas ruas com pedras contra a polícia.

O Governo considera que o Ansar al-Sharia constitui uma ameaça à segurança nacional da Tunísia Anis Mili/Reuters

Apoiantes do grupo radical islâmico Ansar al-Sharia e a polícia da Tunísia envolveram-se em confrontos em duas cidades do país este sábado, depois de o Governo ter decidido proibir a realização do congresso anual do movimento.

Os confrontos ocorreram na capital, Tunes, e em Kairouan, cidade que deveria servir de palco à reunião do Ansar al-Sharia, o grupo mais radical a surgir na Tunísia após a queda do ditador Ben Ali, em 2011.

Em Kairouan, os apoiantes do movimento atiraram pedras à polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo, segundo o relato da agência Reuters. Para além de ter proibido a reunião do grupo em Kairouan, o Governo do partido islamista moderado Ennahda – que lidera o país em coligação com dois partidos seculares – impediu também que o Ansar al-Sharia se manifestasse no distrito de Ettadamen, na capital tunisina.

"A lei do tirano deve cair", gritaram os cerca de 500 apoiantes do movimento no distrito de Ettadamen, enquanto lançavam pedras contra a polícia anti-motim, ateavam fogo a automóveis e substituíam a bandeira da Tunísia por um pano negro com uma referência à Al-Qaeda.

A polícia deteve o porta-voz do grupo radical islâmico, Saifeddine Rais, segundo uma fonte das forças de segurança ouvidas pela Reuters.

O ministro do Interior disse na sexta-feira que o Ansar al-Sharia tinha sido proibido de se reunir porque "mostrou desdém pelas instituições do Estado, incitou à violência e representa uma ameaça à segurança nacional". Já este sábado, o primeiro-ministro, Ali Larayedh, afirmou que o movimento tem ligações ao terrorismo.

O SITE Intelligence Group, que monitoriza declarações de movimentos jihadistas, anunciou este sábado que a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico encorajou os islamistas tunisinos a continuarem "no bom caminho" e a terem cuidado com "as provocações do Governo".

O líder do Ansar al-Sharia, Saifallah Benahssine, também conhecido como Abu Iyadh, foi combatente da Al-Qaeda no Afeganistão e é procurado pela polícia por ter alegadamente incitado ao ataque contra a embaixada dos Estados Unidos em Setembro do ano passado, que resultou na morte de quatro pessoas.

A revolução que levou à queda de Ben Ali, em 2011, foi o rastilho da Primavera Árabe, que inspirou revoluções semelhantes no Egipto e na Líbia. O Governo actual é liderado por um partido islamista moderado, o Ennahda, mas tem sido confrontado com a luta dos salafistas por um maior protagonismo dos assuntos religiosos.

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