São três da manhã e os combates continuam. A polícia ocupa a Praça Taksim, onde uma equipa de bulldozers vai limpando os destroços e os restos de cartazes e bandeiras, iluminados por intensos holofotes. À volta, os manifestantes lançam pedras, cocktails molotov e fogo de artifício. Há carros e autocarros a arder.
No terreiro em obras contíguo à praça, por baixo do parque Gezi, há milhares de manifestantes aos gritos, tentando agredir a polícia. Alarmes de automóveis e edifícios soam permanentemente.
Nas ruas à volta da praça, continuam lutas, com polícias a correr atrás dos activistas, respondendo às pedradas com gás lacrimogéneo. Algumas vielas são um inferno de fumo, outras estão atafulhadas de barricadas feitas com lixo e destroços.
No cruzamento das ruas Topçu e Lamartin, o Biz café abriu as portas e colocou música nos altifalantes. Os manifestantes, com capacetes e paus, máscaras de gás e armaduras, dançam no meio da rua. Ao fundo da Lamartin vê-se um grupo de polícias concentrado. De vez em quando lançam uma granada de gás.
Mas dentro do parque Gezi a polícia ainda não entrou. “É zona livre”, diz um dos activistas, com ar de quem tem a responsabilidade de defender o parque.
Há milhares de pessoas em Gezi. Algumas estão a dormir, embora fora das tendas, para que a fuga seja mais rápida. Montaram um hospital. E um corredor, guardado por dois cordões de militantes e iluminado por holofotes, para que os feridos que chegam das linhas de combate passem rapidamente, na “âmbulância”. Não é nenhum veículo, mas vários rapazes de bata branca, com uma maca desdobrável, e outro à frente com um megafone que emite o som gravado de uma sirene.
"Água! Água!", gritam nos megafones. E logo aparece alguém com garrafões de água para entregar onde é necessária. "Afastem-se, vai chegar um ferido."
Todo o acampamento está mobilizado para o apoio ao combate, que decorre às suas portas. Com regularidade, granadas de gás são lançadas para o interior do parque. Por vezes é anunciado que a polícia vai entrar, e todos correm para o outro lado do Gezi, de acordo com os planos de emergência. Mas é sempre falso alarme. Por enquanto.

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