Cientista condenado à prisão por ligação à Al-Qaeda

O advogado de Hicheur, Patrick Baudouine, disse ter esperança de que a pena venha a ser reduzida Bertrand Langlois/AFP

Adlène Hicheur é físico e trabalhava no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN, na Suíça) quando foi detido em 2009, acusado de planear ataques terroristas. Agora um tribunal de Paris condenou-o a quatro anos de prisão efectiva.

Os juízes basearam a sua decisão em várias mensagens de correio electrónico que Hicheur, de nacionalidade francesa e argelina, trocou com Mustapha Debchi, acusado de ser um dos líderes da Al-Qaeda no Mabrebe Islâmico (AQMI), um ramo da Al-Qaeda que actua em vários países do Norte de África. Não foram divulgados pormenores sobre essas mensagens, mas nelas terá sido abordada a preparação de atentados terroristas.

Nessa troca de emails Hicheur ter-se-á mostrado disposto a identificar possíveis alvos de atentados, tendo chegado a ser referida uma base militar onde se formam soldados para combater no Afeganistão. O Ministério Público considerou-o, aliás, um “conselheiro técnico” que estaria a disponibilizar informação à AQMI.

Especialista em física de partículas, Hicheur tem 35 anos e já passou os últimos dois anos e meio em prisão preventiva. O seu advogado, Patrick Baudouine, manifestou a esperança de que saia em breve da prisão e de que a pena venha a ser reduzida, depois de ter posto em causa durante todo o processo a identidade da pessoa com quem o cientista trocava mensagens.

“Quando se tem a certeza da identidade de alguém não se diz que parece ser, diz-se que é a pessoa em questão””, chegou a argumentar Baudouin, referindo-se ao facto de, durante a fase de instrução do processo judicial, o destinatário das mensagens de Hicheur ter sido referido como alguém “que parecia ser Mustapha Debchi.”

Os emails em causa foram enviados em Março de 2009, sete meses antes de Hicheur ser detido. Numa das mensagens terão sido propostos possíveis alvos de atentados em França e noutros locais da Europa, e noutra foi referida a base militar de Gran-Grevier, na parte oriental de França. Mas o que fez soar o alarme dos serviços de segurança franceses foi uma mensagem da AQMI para o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, que deixou as autoridades francesas mais atentas a conteúdos na Internet relacionados com a organização terrorista.

Apesar de o cientista ter alegado que na altura estava “num mau estado de saúde físico e psicológico” e se encontrava de baixa, o tribunal considerou provado que Hicheur “deu apoio logístico e mediático a diversas estruturas terroristas da rede islâmica radical, ao participar em discussões na Internet com membros da AQMI, concordando com a criação de uma célula operacional na Europa e definindo possíveis alvos”.

Durante o julgamento, o cientista do CERN referiu por diversas vezes que estava a passar por uma fase “psicologicamente turbulenta” na altura em que escreveu as mensagens, mas negou ter tido qualquer intenção de realizar os ataques.

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