Última cimeira antes do alargamento a Leste da União Europeia, a reunião EU-Rússia, que hoje se realiza em Roma com a presença do Presidente russo Vladimir Putin, terá na agenda uma série de medidas relativas à integração económica, política, científica e cultural. E, inevitavelmente, o caso da prisão do oligarca Mikhail Khodorkovski.
Outro tema importante é a liberdade de circulação, em que será analisada a simplificação da concessão de vistos, designadamente para os russos do enclave de Kalininegrado (no Mar do Norte). É uma questão prioritária para Moscovo. Por sua vez, os europeus querem um rápido acordo em relação ao repatriamento dos imigrantes clandestinos.
A UE pretende que Moscovo aceite uma cooperação entre os projectos europeu e russo de navegação por satélite, respectivamente Galileu e Glonass, para fazer concorrência ao americano GPS. E desejaria um “diálogo energético”, mas acusa Moscovo de falsear a concorrência, dados os preços a que as suas empresas compram o gás e o petróleo.
Enquanto a UE pressionará Moscovo para que ratifique o Protocolo de Quioto, sobre a defesa do ambiente, Putin insistirá na aceleração da entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio.
Estarão também na mesa questões estratégicas e de segurança, devendo ser avaliados os progressos em matéria de desarmamento e não proliferação de armas nucleares.
A delegação europeia é chefiada pelo primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, que exerce actualmente a presidência rotativa da UE, cabendo-lhe levantar as questões politicamente delicadas, como a guerra na Tchetchénia e sobretudo a prisão do oligarca Mikhail Khodorkovski, que pairará como uma sombra sobre o encontro.
Um porta-voz da Comissão Europeia relembrou as suas preocupações em relação aos critérios da justiça russa. “O não respeito de princípios-chave [do estado de direito] poderia travar a integração da Rússia num espaço económico europeu comum”, disse.
Enquanto em Roma Vladimir Putin fazia declarações apaziguadoras sobre o caso Khodorkovski, em Moscovo o ministro dos Recursos Naturais, Vitali Artiukhov, declarava que era “praticamente inevitável” retirar à Iukos as licenças de exploração petrolífera. É a ameaça de estrangulamento do quarto maior grupo petrolífero do mundo. Para salvaguardar a companhia, Khodorkovski, detido desde 25 de Outubro, abandonou todos os seus cargos, sendo substituído pelo russo-americano Semion Kukes.
Segundo uma sondagem ontem publicada em Moscovo, 54 por cento dos russos aprovam a detenção do oligarca, 13 por cento discordam e 29 são indiferentes. A maioria crê que as acusações da Procuradoria são fundamentadas.
Também ontem o partido Iabloko (liberal), de Grigori Iavlinski, anunciou que apresentaria o seu próprio candidato às presidenciais de 2004, rejeitando a ideia de uma frente comum com o outro partido ocidentalista, a União das Forças de Direita.

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