A ministra da Defesa de Espanha, Carme Chacón, anunciou que não vai participar nas primárias do PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol] para ser candidata à presidência do Governo nas eleições gerais de 2012.
Chacón, que nunca anunciara oficialmente a sua candidatura, tomou esta atitude em nome da unidade do partido.
“A escalada contra o processo de primárias pôs em risco a unidade do partido, a imagem do presidente do Governo e, inclusivamente, a estabilidade do Executivo, o que me leva a reconsiderar a intenção de concorrer”, disse, em tom triste, Carme Chacón. “Considero que hoje devo dar um passo atrás para que o PSOE dê um passo em frente”, concluiu.
Os argumentos que esgrimiu indiciam as cenas dos próximos actos. Com a sua desistência, Chácon pretendeu desactivar a possibilidade de um Congresso extraordinário que teria na ordem de trabalhos a substituição da actual direcção e de Rodriguez Zapatero como secretário-geral. Sem este cenário, está garantida a imagem do presidente – que abandonará o seu cargo sem ser empurrado -, a unidade do partido – que se fracturou nos últimos dias – e a estabilidade do Governo, que cambaleou visivelmente entre partidários de primárias e defensores de Congresso.
Deste modo, a reunião de amanhã do comité federal do PSOE abre o processo de primárias a que apenas deverá comparecer um candidato: o vice-presidente do Governo, ministro do Interior e porta-voz do Executivo, Alfredo Pérez Rubalcaba. Na prática, e salvo surpresa, não haverá disputa.
Falta saber quando Rubalcaba anuncia a sua disponibilidade para ser adversário do conservador Mariano Rajoy à presidência do Governo de Espanha. Nos próximos meses, deverá decorrer uma conferência política, na qual o candidato exporá os pontos do seu programa, num debate reclamado pelos defensores da convocatória do Congresso.
Este calendário prevê que o actual Governo continue em funções até ao final do primeiro trimestre do próximo ano, quando se realizam as eleições gerais. No entanto, não é excluída a possibilidade de antecipar esta consulta eleitoral.
Se, com a demissão de Chacón, Zapatero “comprou” a garantia de não ser substituído na direcção partidária de forma brusca, esta fórmula não garante a sobrevivência do seu gabinete. Desgastado pela maior derrota eleitoral da história dos socialistas, dividido pelas estratégias, fragilizado pela crise e à mercê da volatilidade dos mercados.

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