A primeira-dama francesa, Carla Bruni, nega que a fundação a que preside, dedicada à assistência de crianças e pessoas desfavorecidas, tenha recebido irregularmente 2,7 milhões de euros do Fundo Mundial de Luta contra a Sida, a Tuberculose e a Malária – do qual é embaixadora –, como noticia a revista Marianne.
A publicação francesa revelou ontem no seu site, e hoje na sua edição impressa, que a fundação Carla Bruni-Sarkozy estava envolvida num alegado caso de fraude. Em causa estarão 3,5 milhões de dólares [cerca de 2,7 milhões de euros] pagos à fundação “à margem da legalidade”. Parte deste montante, alega a revista, terá chegado às empresas do músico e assessor da fundação Julien Civange.
Carla Bruni, que em 2009 criou a fundação depois da morte do irmão,com sida, reagiu ainda ontem à notícia, negando com veemência as acusações e resumindo em algumas linhas os propósitos e as actividades da fundação. Fê-lo numa nota publicada no site da fundação, onde critica: “A insinuação segundo a qual os fundos foram levantados de parceiros públicos é inteiramente infundada”. A Marianne publica no seu site as duas notas: a de Carla Bruni considerando-o um direito de resposta e o texto do fundo como um comunicado; mas sublinha que, no essencial, ambas “não põem em causa” a investigação.
A revista defende-se: “A Marianne não afirmou, em caso algum, que a Fundação de Carla Bruni-Sarkozy teria recebido dinheiro do fundo mundial (informação mencionada, por exemplo, esta manhã por Eric Favereau no Libération, sem qualquer ligação com o nosso artigo e que nos parece sem fundamento)”.
Desde ontem está no site da revista um resumo da investigação, no qual a publicação afirma que “3,5 milhões de dólares foram pagos pelo Fundo Mundial de Luta contra a Sida, à margem da legalidade, e sem licitação, a pedido da primeira-dama, a várias sociedades de um dos seus amigos”.
O Fundo Mundial de Luta contra a Sida nota, por seu lado, que o artigo publicado no site “dá uma imagem inexacta e enviesada das ligações” entre o fundo e a instituição que Carla Bruni fundou. E garante que, “contrariamente ao que é dito no artigo, o fundo mundial não pagou um cêntimo à fundação”.
Os valores envolvidos, alega, têm a ver com uma campanha da organização feita em 2010 com o apoio da fundação. O custo integral da campanha de sensibilização, esclarece, “foi apoiado pelo orçamento ordinário do fundo mundial e representava uma soma total de 2,8 milhões de dólares [2,19 milhões de euros], significativamente menos do que o número avançado pela Marianne”.
O conjunto de contratos que diz respeito à campanha, suportada por uma página Web do fundo no site da fundação, e os custos das deslocações de Bruni no âmbito das actividades “respeitaram as regras e os procedimentos muito estritos do fundo”, defende-se a organização.

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