Dois anos e meio depois de chegar a Downing Street, David Cameron não pode apresentar aos britânicos a recuperação da economia, nem do emprego ou sequer um alívio da austeridade. Mas o primeiro-ministro foi à conferência dos conservadores insistir que o seu é o caminho certo e que se não forem tomadas “decisões dolorosas” o Reino Unido perderá o seu lugar no mundo.
Os analistas falaram num discurso sombrio, sem grandes anúncios ou as tiradas de humor habituais nas conferências partidárias. Foi sobretudo um discurso em que o líder dos tories, tantas vezes acusado de elitismo, quis mostrar que compreende e está ao lado do cidadão comum.
“Não somos o partido dos que estão bem na vida, somos o partido dos que querem melhorar a sua vida”, disse. Foi uma resposta à oposição trabalhista, em alta nas sondagens, que na semana passada se apresentou como a única capaz de representar toda a sociedade britânica.
Um dia depois de o FMI ter revisto em baixa as previsões para a economia britânica, que termina o ano em recessão, Cameron admitiu que a recuperação “está a demorar mais tempo do que o previsto”, mas insistiu que não recuará na política de cortes e reformas do sector público. E, acusando o Labour de só ter como solução o aumento da despesa, avisou: “Competimos num mundo global. Isso significa que esta é a hora do ajuste de contas para países como o nosso. Ou nadamos ou nos afundamos”.
Ninguém arriscava dizer se o discurso teria sido suficiente para mudar a sorte de um primeiro-ministro a quem quase tudo correu mal no último ano, do arrefecimento da economia, aos problemas na coligação com os Liberais Democratas ou aos embates com os parceiros europeus.
Nick Robinson, editor de política da BBC, dizia ser emblemático que Cameron, incapaz de subir ao palco para mostrar que conseguiu pôr o país de novo a crescer se tenha visto obrigado a “tentar convencer os britânicos que ainda será capaz de o fazer”.

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