Cameron confia na vitória do "sim" à campanha aérea contra o EI na Síria

Moção para o bombardeamento de alvos jihadistas na Síria vai a votos na Câmara dos Comuns. Partido Trabalhista dividido pode garantir vitória ao Governo.

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Primeiro-ministro David Cameron espera que a sua moção seja aprovada por larga maioria AFP/LEON NEAL

O Reino Unido pode começar a largar bombas sobre alvos do autoproclamado Estado Islâmico na Síria já esta quarta-feira, minutos depois de a Câmara dos Comuns votar uma moção apresentada pelo Governo de David Cameron autorizando a acção militar naquele país – e que o primeiro-ministro está confiante será aprovada por uma larga maioria, com os votos favoráveis da bancada conservadora e também da oposição trabalhista, autorizada a contrariar a linha oficial defendida pelo líder, Jeremy Corbyn, que é contra a missão de guerra.

O rascunho da moção foi entregue no parlamento depois de ser endossado numa reunião de ministros esta terça-feira de manhã. “É uma moção que defende a necessidade de acção militar contra o Estado Islâmico na Síria, tal como no Iraque, mas essa é uma componente de uma estratégia mais vasta. A moção também é sobre política, diplomacia e assistência humanitária, sem as quais não conseguiremos alcançar a paz na Síria. Só que para proteger o nosso interesse nacional, não podemos deixar de combater esta terrível organização terrorista”, justificou David Cameron, assegurando que o envolvimento do Reino Unido na campanha militar contra os jihadistas será exclusivamente aéreo.

O ministro da Defesa, Michael Fallon, sublinhou que a ameaça representada pelos extremistas à segurança nacional se intensificou e que o país não podia subcontratar a terceiros a responsabilidade pela defesa do seu território e protecção da população. Perante o comité da Defesa da Câmara dos Comuns, o governante concedeu que os ataques aéreos, “por si só”, não garantem a destruição do EI, mas contribuem para “reduzir significativamente a sua capacidade para atacar o Reino Unido”, acrescentou.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, pôs em causa os pressupostos avançados pelo Governo para justificar a intervenção militar na Síria, e em particular a asserção de que os grupos de oposição sírios envolvidos no combate ao EI compõem uma “força moderada” de pelo menos 70 mil homens – o Labour contesta esta contabilidade e contrapõe que os grupos no terreno integram dezenas de milhares de islamistas radicais. Apontando para a complexidade da situação na Síria, e também as “consequências e implicações” da autorização de uma nova frente de guerra na região, o histórico pacifista lamentou a pressa governamental no debate e votação da proposta e apelou aos membros da sua própria bancada para “reflectirem bem” antes de se precipitarem para uma nova guerra.

A pressão sobre o grupo de trabalhistas que ameaçou romper a disciplina de voto intensificou-se brutalmente em menos de 24 horas, de tal maneira que a estimativa inicial de 80 votos do Labour a favor da moção do Governo já foi revista em baixa, para cerca de 30. O Partido Nacionalista Escocês votará em bloco contra a proposta, e os oito membros que compõem a bancada liberal-democrata ainda não anunciaram a sua posição.

A coligação Stop the War convocou os londrinos para manifestações em frente das sedes dos partidos Conservador e Trabalhista na noite desta quarta-feira, em protesto contra o alargamento da campanha aérea do Iraque para a Síria. A coligação aconselhou os deputados a rever as apreciações feitas em 2003 durante o debate que culminou com o apoio à invasão e ocupação do Iraque, “reconhecidamente o pior desastre de política externa desde o Suez”. Essa votação, recordou a organização, “resultou na morte de milhares de civis e mergulhou o país no caos do qual emergiu o Estado Islâmico”.

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