Britânicos querem trabalhistas no governo, não querem é o seu líder

Ed Miliband é o líder do partido Trabalhista britânico desde 2010 Andrew Winning/REUTERS

Sondagem dá 38% de votos para o Partido Trabalhista de Ed Miliband e 35% para o Partido Conservador do primeiro-ministro britânico David Cameron. Ainda assim, os inquiridos acham que David Cameron está mais apto para o cargo do que Ed Miliband.

Apenas um em cada 10 britânicos acha que Miliband daria um bom primeiro-ministro. Más notícias para o líder dos trabalhistas, que discursa hoje no congresso anual do seu partido. Os conselheiros de Miliband já saíram em sua defesa ao dizer que não se trata de os britânicos não gostarem dele, mas sim de não o conhecerem.

E é nesse mesmo sentido para que Miliband vai apontar quando discursar terça-feira às 14h perante os delegados trabalhistas e, mais importante, perante um eleitorado ainda por conquistar. Miliband tem até 2015, ano em que ocorrerão as próximas eleições legislativas britânicas, para inverter a sua impopularidade.

Em partes do discurso previamente disponibilizadas aos media, torna-se clara a “operação de charme” do líder trabalhista. Tratará de se tentar aproximar do povo britânico (depois de um alto dirigente conservador ter alegadamente chamado “plebeus” a dois polícias) e centrará também parte do seu discurso na educação.

“A minha família não se tem sentado debaixo da mesma árvore nos últimos 500 anos. Os meus pais chegaram ao Reino Unido como imigrantes, refugiados judeus perseguidos pelos nazis. Nunca estaria aqui agora sem a compaixão e tolerância do nosso grande país”, diz esta tarde. “Eu nasci no hospital público da minha zona, o mesmo hospital onde nasceram os meus filhos. E andei também na escola da minha zona com pessoas de todos os meios sociais”, acrescenta o líder trabalhista.

Quanto à educação, Miliband vai defender uma reforma do sistema educacional, argumentando que o actual “funciona apenas para metade do país” e que “está na altura de nos concentramos naqueles que não vão para a universidade”. Ao contrário daquilo que Tony Blair, primeiro-ministro trabalhista de 1997 a 2007, defendeu na sua altura, Miliband defende uma diminuição do ensino técnico-profissional e um consequente fortalecimento do ensino puramente académico a todos os estudantes com menos de 18 anos.

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