Blogger Yoani Sánchez detida em Cuba

Yoani Sánchez foi detida quando se deslocava para Bayamo, onde começou o julgamento de Carromero Adalberto Roque/AFP

A blogger Yoani Sánchez, uma das mais conhecidas vozes da oposição ao regime de Raúl Castro, foi detida juntamente com o seu marido, o jornalista Reinaldo Escobar, em Bayamo, na parte oriental de Cuba.

A detenção ocorreu quando a autora do blogue Generación Y se dirigia para Bayamo, onde começou esta sexta-feira o julgamento do dirigente da juventude do Partido Popular espanhol, Ángel Carromero, acusado de homicídio por negligência. Era ele quem conduzia o carro onde morreu o dissidente cubano Oswaldo Payá, num acidente ocorrido a 22 de Julho, tendo as autoridades cubanas concluído que o veículo seguia em excesso de velocidade, uma versão que na altura foi questionada por opositores ao regime e familiares de Payá.

As autoridades cubanas não confirmaram a detenção de Yoani Sánchez, mas esta foi noticiada em vários órgãos de informação. O diário espanhol El País, com o qual Sánchez colabora, contactou o fotógrafo Orlando Luis Pardo em Cuba, que confirmou ter conversado ao telefone com o filho de Yoani Sánchez, Teo, que lhe disse ter recebido um telefonema da mãe ainda durante a tarde de quinta-feira a dizer-lhe que estava detida numa esquadra da polícia em Bayamo.

Entretanto, vários blogues e órgãos de informação ligados ao regime cubano também referiram a detenção. O blogger Yohandry Fontana, que na sua página Yohandry.com divulga muitas vezes informações provenientes das autoridades cubanas, publicou um texto em que refere que Sánchez viajou para Bayamo “para tentar fazer uma provocação e um show mediático que prejudicaria o bom desenvolvimento do julgamento” de Ángel Carromero.

Também um jornalista da televisão local de Bamayo, García Ginarte, publicou uma mensagem no Twitter a referir que Sánchez “veio a Bayamo para perturbar o julgamento” e “foi detida pelas autoridades locais”.

Para além de Yoani Sánchez e do marido foi também detido o blogger Agustín Díaz, adiantou o El País, que tentou contactar Sánchez mas obteve do outro lado da linha uma mensagem da companhia dos telefones a dizer que “esse número não existe”.

Fortes medidas de segurança no julgamento de Carromero
Entretanto, começou em Bayamo o julgamento de Ángel Carromero, rodeado de fortes medidas de segurança. Só alguns jornalistas foram autorizados a assistir à audiência, o dirigente da juventude do PP espanhol, de 27 anos, chegou ao tribunal pelas 9h (14H em Lisboa) para ser julgado por homicídio por negligência de Payá, que era um dos mais conhecidos dissidentes cubanos e foi vencedor do Prémio Sakharov para a liberdade de expressão atribuído pelo Parlamento Europeu, em 2002.

Camisa branca, calças castanhas, Carromero apareceu no tribunal rodeado de polícias. O cônsul espanhol Tomas Rodriguez Pantoja estava no local e disse aos jornalistas: “Estamos optimistas, mas vamos ver o que vai acontecer”. A procuradoria cubana pediu sete anos de prisão.

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