Mais de mil manifestantes bielorussos envolveram-se em confrontos com a polícia e conseguiram romper um cordão policial, tudo para cumprir a sua intenção: sob gritos de "Vergonha!" e "Viva a Bielorússia!", marchar até à Praça de Outubro, em Minsk, para contestar a reeleição do Presidente Alexander Lukashenko.
A polícia bielorussa fechou de madrugada o acesso à Praça de Outubro, no centro de Minsk, onde a oposição tenciona concentrar-se hoje para voltar a protestar contra a reeleição do presidente Alexandre Lukachenko. Polícias anti-motim expulsaram por meios pacíficos pequenos grupos de manifestantes que se formavam naquele local com a aproximação do início da manifestação, previsto para as 12h00 locais (10h00 em Lisboa). "Caros cidadãos, atravessar este local é interdito devido à operação para limpar a pista de patinagem" no gelo, disse um oficial da polícia às pessoas que tentavam aproximar-se.
A manifestação não autorizada ainda não chegou à Praça de Outubro. Os manifestantes, entre os quais numerosas mulheres, foram barrados de forma mais ou menos pacífica à entrada da praça pelas forças especiais da polícia, a Spetznaz, que ali instalaram barreiras metálicas. No mesmo local, um cordão de polícias procurava opor-se à crescente pressão exercida pelos manifestantes.
O porta-voz do líder da oposição Alexandre Milinkevitch, Pavel Majeika, presente entre a multidão de manifestantes, declarou à imprensa que o Milinkevitch se juntará muito em breve aos protestos.
A oposição mantém a convocatória para a grande manifestação que visa desafiar o regime autoritário de Alexandre Lukachenko, apesar da vaga de detenções de ontem e da aparente determinação do Presidente de pôr termo ao movimento de protestos contra a sua reeleição.
No domingo passado, o Presidente cessante foi reeleito com 83 por cento dos votos, segundo os resultados oficiais, depois de uma campanha marcada pela detenção de vários militantes da oposição. Saudada por Moscovo, a vitória de Lukachenko foi duramente criticada por Washington e pela União Europeia. A oposição pede a anulação dos resultados e a convocação de um novo escrutínio.

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