O chefe do Governo demissionário de Itália e candidato ao cargo de primeiro-ministro nas eleições de Fevereiro disse esta quarta-feira que Silvio Berlusconi fala muito de valores éticos mas não os respeita.
"Berlusconi utilizou armas desajustadas contra mim, por exemplo a dos valores familiares. Nem merece comentário", disse Monti numa entrevista à rádio pública Rai. O chefe do Governo referia-se, sem os mencionar, aos escândalos sexuais em que Berlusconi está envolvido.
"Creio que os valores éticos são fundamentais e devem ser defendidos. Não gosto de partidos que utilizam os valores éticos, que não respeitam no quotidiano, como arma de arremesso política", disse Monti.
Silvio Berlusconi, que já foi primeiro-ministro de Itália e se prepara para ser novamente candidato nas eleições de 24 e 25 de Fevereiro, disse no dia 31 de Dezembro ter recebido elogios da Igreja Católica devido às suas intervenções "em temas éticos". No programa de Monti - disse Berlusconi que, no passado, se manifestou contra o aborto e os casamentos de pessoas do mesmo sexo - não há referências a esses temas que "são importantes para a Igreja".
Mario Monti - que sucedeu a Berlusconi à frente do Governo mas que não foi eleito, foi nomeado pelo Presidente Giorgio Napolitano para chefiar uma equipa de técnicos com a missão de evitar uma crise económica em Itália mais profunda - vai ser o representante de uma coligação de partidos centristas. Além de Berlusconi, enfrenta o representante da esquerda, Pier Luigi Bersani.
"Berlusconi semeia a confusão no meu espírito, no plano da lógica. Recentemente, encorajou-me a conduzir uma aliança de centro-direita. Depois, disse que o [meu] governo só fez asneiras, depois que deu o seu melhor. Espero que os eleitores se lembrem [do percurso] dele melhor do que eu", ironizou Monti, cujo governo técnico caiu porque Berlusconi lhe retirou o apoio dos seus deputados.

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