O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou veementemente o intenso bombardeamento aéreo sobre uma zona fronteiriça do Sudão do Sul que terá causado vários mortos nas cidades de Bentiu e Rubkona, próximas da região de Heglig, disputada com Sudão e dotada de grande riqueza petrolífera.
Exigindo que o Governo sudanês “pare todas as hostilidades imediatamente”, Ban Ki-moon frisou que “não existe nenhuma solução militar” para o diferendo fronteiriço entre os dois países – que tem vindo nas últimas semanas a provocar um crescendo de tensão e violência fazendo temer um regresso à guerra naquele território.
Um comandante militar do Sudão do Sul – país independente desde Julho passado em virtude do referendo de Janeiro de 2011 – relatou que morreram mais de 1.200 pessoas no raide transfronteiriço, de ontem, do qual apontou directas responsabilidades às forças militares do Sudão. O ministro da Informação do Sudão do Sul, Banaba Marial Benjamin, confirmou apenas a morte de duas pessoas em Bentiu, incluindo um rapaz de 12 anos, e uma outra em Rubkona.
Porta-voz do exército sudanês negou qualquer envolvimento de Cartum naquele ataque: “Não temos nada a ver com o que se está a passar no Sudão do Sul”, garantiu, sugerindo ainda que a autoria dos raides se deve atribuir a rebeldes ou milícias do país vizinho.
O bombardeamento de Bentiu and Rubkona, duas cidades vizinhas, divididas por um rio, ocorreu alguns dias após as tropas do Sudão do Sul terem cedido à pressão internacional e retirado da região de Heglig, cujo controlo tinham assumido à cerca de duas semanas. Peritos consideram que o alvo principal dos raides foi a ponte que unia as duas cidades e dava acesso aos campos petrolíferos na zona cuja soberania é disputada pelos dois países.

Comentários