"Número dois" do Governo de Israel demite-se para "limpar o nome"

Ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro sai do executivo depois de ter sido acusado de fraude e abuso de confiança.

Avigdor Lieberman é o líder do partido nacionalista Yisrael Beiteinu Maya Hitij/REUTERS

O ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro de Israel, Avigdor Lieberman, apresentou a demissão do Governo, para se defender das acusações de fraude e abuso de confiança que lhe foram imputadas após uma investigação de 12 anos por alegado branqueamento de capitais e corrupção.

“Apesar de não ter cometido nenhum crime, decidi demitir-me do meu cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro, e também abdicar da minha imunidade [parlamentar]”, anunciou Lieberman, em comunicado. “Depois de 16 anos de investigações contra mim, tenho finalmente a oportunidade de limpar o meu nome e pôr fim a este processo sem mais demoras”, acrescentou.

A demissão acontece cinco semanas antes das eleições legislativas, e Lieberman espera poder fechar o processo a tempo de não “influenciar” as decisões dos eleitores. “Acredito que os cidadãos de Israel têm o direito de ir às urnas sabendo que este assunto foi resolvido, para que possa continuar a servir o Estado de Israel enquanto membro de uma liderança forte e unida e capaz de responder aos desafios económicos, diplomáticos e de segurança com que o país se confronta”, dizia o comunicado.

Avigdor Lieberman é o líder do partido nacionalista Yisrael Beiteinu, o principal parceiro da coligação de Governo encabeçada pelo Likud do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. As sondagens das intenções de voto apontam um cenário de reeleição de Netanyahu e reedição da actual coligação governativa – os dois partidos formaram um novo pacto para se apresentar nas eleições.

Mas, para já, não é claro que Lieberman esteja em condições de se manter como o cabeça de lista do seu partido, o que prenuncia uma quebra na votação. O seu afastamento tem vindo a ser exigido em editoriais da imprensa israelita, e também por vários políticos da oposição, incluindo a líder dos Trabalhistas, Shelly Yacimovich, que garantiu que “jamais aceitaria integrar um Governo com alguém que está sentado no banco dos réus. Não acredito que alguém possa ser arguido e ministro ao mesmo tempo”.

As acusações contra Avigdor Lieberman resultam de uma investigação por suspeitas de crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. O procurador-geral de Israel, Yehuda Weinstein, explicou que as irregularidades pelas quais Lieberman foi acusado têm a ver com a sua responsabilidade na promoção do embaixador de Israel na Bielorrússia, que lhe estava a fornecer informação privilegiada relativa ao inquérito policial às suas actividades. 
 
 

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